segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Santinhos profanos

Outrora em 15 de novembro, atualmente no último domingo de outubro, os colégios eleitorais com mais de duzentos mil votantes precisam sufragar novamente caso não haja maioria dentre os votos válidos a um dos candidatos às chapas majoritárias. Eis um conceito que poderia ser abertura de Wikipédia para “segundo turno”. Se na teoria representa a legitimidade advinda da escolha da maioria do povo, a prática desdiz qualquer argumento webberiano: novo pleito é a possibilidade de reverter uma votação menor, aumentar a trupe e dividir a pizza em mais (e menores) pedaços.

A Mui Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre reelegeu seu prefeito. Isso é fato inédito. Gaúchos são curiosos e “pagam pra ver” no que vai dar; a maior prova dessa afirmação foi o fato de ser uma das primeiras capitais da Pindorama a eleger um petista, mantendo o partido da estrela por dezesseis anos. Depois de quatro gestões de integrantes do 13, veio um filho da cidade, emblemático por suas músicas e político de reputação ilibada, e mudou o cenário até então previsível. Ontem, mais uma vez, o grupo político do Presidente da República foi rechaçado, reelegendo José Fogaça (autor de Vento Negro e de uma outra música, que eu não lembro o nome; ainda, é da esposa – e dele também, talvez – a mítica Porto Alegre é Demais).

Como trabalho em uma das cidades da região metropolitana (não propriamente em minha terra natal), vivi duas eleições à minha volta. Sapucaia do Sul, conhecida no cenário nacional como local onde se escondem animais de toda a sorte (seja pelo Zoológico, seja pelo ninho de cobras políticas que se esgueira por lá), preferiu não manter seu atual prefeito. O cidadão não ficou muito contente e quebrou tudo na semana após sua derrota. Literalmente: arrebentou com o próprio gabinete!

Esse foi o segundo pleito em que trabalhei como presidente de seção eleitoral. Depois de 18h de cárcere público (pois foi a Justiça Eleitoral que me convocou) e $30 mais rico (os dois auxílios alimentação, pelos dois turnos de votação), fico num sentimento misto de “fiz minha parte” com “tá, e daí?”. Depois que passa toda a algaravia, jingles, pancadaria verbal (sim, bem sinestésico) e empregos estranhos (como “tremulador de bandeira”, “panfleteador partidário” e “porta-estandartes em semáforos”), só resta a sujeira da votação, os muros numerados de vereadores e as folgas que o certame oferece. Só isso.

Estou perdendo a esperança no meu povo. Isso é mau, muito mau. A res publica (em latim, coisa do povo, é a nossa república) é uma coisa, mesmo. Por isso, não sei até que ponto deveria haver segundo turno: se colocarmos (eu também sou povo, c’est la vie) um rinoceronte no Paço Municipal, a prefeitura não deixará de andar (quem toca o trabalho “de verdade” é a assessoria)! Assim, qual é a legitimidade do segundo turno?

E a vida rola, e os santinhos vão sujando as ruas, e as alianças são constituídas nos diretórios, e nada é novo na frente ocidental. É, gente... E a vida passa, e a água rola, e o vento sopra, e os santinhos-cheios-de-promessas estão ficando cada vez mais profaninhos-com-poucas-verdades...!

Boa semana e boa sorte para nós!
(durante o almoço e, mais uma vez, sem revisão; vou ter de começar a escrever com mais tempo)

3 comentários:

Lúcia Nikkel disse...

Eu acho que o segundo turno até pode ser bom quando o 'meu candidato' está em segundo lugar, assim conseguirá tentar a 'virada'. Mas esses casos são raros...
Amigo, não faço idéia de quem seja Nine e, pelo que vi, ela não liberou o profile dela, então não temos como encontrá-la mesmo.. Deixe um recadinho para ela abaixo de seu comntário, quem sabe ela veja...
Bjão

Lúcia Nikkel disse...

oioioi
seguindo a indicação da minha amiga Lulú.
demais sua descrição, estrogonofico eh hilario! voltarei maid vezes.
nao, nao tenho blog. nao compartilho desse desejo de escrever :/
bjuxxx

Lúcia Nikkel disse...

aiaiai
Sumaia cabeçuda!
Nisso q dá não fazer o logout no pc do curso!
Vou ver se ela aprontou no meu orkut também...