domingo, 22 de novembro de 2009

Valendo pouco

"A carne mais barata do mercado é a carne negra". Ouvir isso da boca de um negro, como Seu Jorge, faz-me (re)pensar o preconceito como um todo. Será que a discriminação está nos olhos de quem discrimina ou na alma de quem é discriminado?

Depois de algum tempo sofrendo, a dor não tem mais o mesmo peso. A vida é assim em tudo (ou quase tudo); meu exemplo mais claro é a hipertrofia muscular: chega um momento em que não se sente mais a dor do esforço, mas o músculo, para resistir, precisa-se aumentar, como que seu volume afrontasse o halteres do atleta.

Do insigne Sergio Sardi, recordo-me do exercício de verificação, em que o olho enxerga e o olhar interpreta. Onde está o racismo que alguns insistem em dizer haver no Brasil? Será que meu olho não vê ou é o olhar de quem sofreu demais que está, pois, enxergando além da conta?

Não sou racista, e a ideia de "carne negra" tem que ser extirpada do nosso meio; mas que "nosso meio", o dos brancos-não-mais-escravocratas ou dos negros-sempre sofredores?

É lei da Economia: um produto vale o quanto é procurado e o quanto é oferecido. Acho que já está tardando a desmistificação racial brasileira. Tardará ainda mais, enquanto uma pessoa for contada pela sua "carne".

sábado, 21 de novembro de 2009

Voo estável

Monografia de conclusão entregue, pesquisa, mestrado engatilhado; agora, é aguardar!

Poderei passear, descansar, fazer o que gosto (não que eu não goste da correria); hoje, 2012 me aguarda! Assim, minhas promessas voltarão a ser cumpridas (já andei correndo um pouco no parque, mas tenho mais coisas ainda cumprir).

Enfim, agora é ritmo de festa! :)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Malícia da vítima ou bondade do bandido?

A presença de espírito do taxista Waldemar Erani Cereça, 59 anos, salvou sua vida, ontem à tarde, quando era refém de dois assaltantes, que tomaram o seu táxi, em Porto Alegre. Após ficar uma hora e meia em poder dos criminosos, o taxista se livrou da dupla ao simular um ataque cardíaco, o que sensibilizou os bandidos. Eles deixaram o taxista na porta do Hospital Cristo Redentor e fugiram no carro da vítima, um Siena.

(tirado daqui)

+ + +

Não sei mais em que pensar! A vítima fez a maldade de enganar os sequestradores, que, por sua vez, foram caridosos a ponto de deixar seu coagido junto a atendimento médico. Isso é um quase "com licença, estou levando o seu carro". É, o mundo tá virado, mesmo. Ao menos, os badidos conhecem bem "a dignidade devida a todos os membros da família humana", como proclama a Declaração Universal dos Direitos Humanos...!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Honrando a quem merece

Hoje, por hábito e norma, é Dia do Professor aqui na Pátria-Mãe. Cabe, pois bem, lembrar daqueles que nos deram um pouco de si, exercendo seu ofício com a obsessão da qualidade e a ternura da humanidade, e lhes devotar a gratidão e o reconhecimento pela relevância dos seus serviços.

Não são poucos os professores em quem reconheci (e, em alguns, ainda reconheço) bons parceiros de caminhada: Izélia, Lúcia, Sirlei, Cléris, Denise, Ana Lúcia, Paulo e Flávio foram os que me deram o gosto pelos números; Fernando, Odone, Sandra e Teresa, pelas letras; Carla, Maria Angélica, José Leandro, Odeli, Miguel e Idílio, pela ciências; e Zerlei, Jussara, Cleusa, Carmem Júlia, Silvino, Ricardo, Alexandra e Mara, pela inquietação que me causaram para descobrir quem é, reealmente, o homem. Todos esses compuseram fundalmentalmente minha vida estudantil, permitindo que eu me enveredasse pelos caminhos da ética e da técnica.

Hoje, rememorando meus professores, vejo-lhes quão grande esforço desempenharam para que tocassem suas inúmeras turmas de inúmeros alunos. Para alguns deles, sou apenas uma estatística; mesmo assim, não muda minha estima por eles, pelo ensino que me confiaram. Para outros, sou uma boa memória e uma companhia dos tempos; a esses, minha consideração se redobra e se põe nos níveis mais altos que eu possa colocar.

Às portas da Academia, convivi com nomes brilhantes, dos quais convém destacar Ricardo Timm de Souza, Pergentino Stefano Pivatto, Cláudio José de Oliveira, Ronaldo Villa Laux, Juliana Leite Ribeiro do Vale, Felipe Camilo Dall'Alba, Milton José Cardoso, Airton José Sott (meu primeiro orientador), Gilberto Shaffer, Maristela Alves, Maria Izabel Cantalice, Antônio Prestes do Nascimento e Renato Selayaram - esse último, um fraterno parceiro diante de toda a caminhada. Como não lhes seguir os passos, como não se assemelhar, ainda que involuntariamente, a cada um deles?

Mesmo entre todos esses nomes (e talvez haja outros que eu tenha deixado passar, ao que peço sincera desculpa), há um nome que não posso deixar de lembrar com certo destaque: Profª Tânia Argimon, minha primeira professora, ainda no Mesozoico (agora sem acento - coisas da Reforma), quando eu era um gurizinho (nas palavras do meu pai).

Apesar de toda a correria (e do material de Economia on the table sobrestando qualquer urgência), parei meu dia para lembrar da mulher que, com perícia invulgar, conseguia fazer seus pupilos cantarem, lerem, contarem e pesquisarem (lembro-me em detalhes como empregamos o método científico para conhecer a cana-de-açúcar, e isso com seis anos!).

Saí sob chuva fina, daquelas que sói por essa época (estava exatamente assim no ano passado, eu me lembro bem); aproveitando o ensejo, deixei paletós para lavar e óculos para aviar novas lentes. Cheguei na floricultura, comprei um buquê pequeno de flores-do-campo (bem miúdas e coloridas, dessas que toda criança gosta) e lhe enderecei um cartão que escrevera em casa, com a mesma caligrafia diminuta e feita com lapiseira de ponta fina, hábito que nunca perdi. Mandei-lhe também uma pequena fotografia, com dois Samis (o que ela conheceu e o que o tempo e ela moldaram). Meio constrangido sob o olhar da florista, depositei tudo ali e instei que para que entregasse à tarde no educandário em que ela leciona, sabedor de que lá estará.

(em algum momento da existência, já fui bonitinho)

A despeito da timidez, voltei para apor, no reverso da lembrança, os meus contatos, coisa que passou despercebida quando lhe dediquei o mimo. Anotei também o endereço desse meu canto, num lampejo incontinente e indecifrável para mim mesmo. Azar do goleiro, e, como Pilatos, deixei quedar o que já estava registrado.

Se ela vai lembrar de mim como o devorador de livros, ou como o que não conseguia anotar tudo com presteza (e ainda não consigo), ou como o representante da classe, ou como aquele que não quis sair na passeata pelo impeachment do então Presidente Collor por objeção de consciência (sim, eu fui contra, porque achava inseguro trocar de presidente no meio de um mandato democraticamente eleito, de modo legal e legítimo - e eu tinha seis anos!), não o sei; não sei sequer se se lembrará de mim, pois não foram poucos os discípulos brilhantes a quem teve o privilégio de conduzir. Não sei se passará por aqui, apondo seu "visto" em forma de rosto sorridente circunscrito por uma letra V em cursivo caprichado. Não sei. Sei apenas que cumpro minha palavra tal como a disse há tanto tempo: ao final daquele ano letivo, depois de abraçar a turma e emocionada, disse-lhe "nunca mais esquecerei da senhora". Eis a minha palavra, hoje cumprida publicamente.

* * *

Preciso homenagear também a duas pessoas que me ensinaram a difícil arte do amar; apesar dos trancos e barrancos a que passaram juntos (e dos gênios às vezes se atritatem até incinerarem a paciência), Papai e Mamãe completam hoje TRINTA E QUATRO anos de namoro! Que Deus abençoe essa união com alegrias mil. O primogênito, apesar de feio e chato, criou-se para o bem, e o caçula se encaminha para bom rumo, à glória de Deus e alegria do casal.


(alguma dúvida quanto a quem seja eu?)

Como cantaria Barney, o Dinossauro, "... amo você, você me ama, somos uma família feliz...".

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Feliz Dia das Crianças!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Tangente

Tangente
(Jáime Jandir da Porciúncula Peixoto)

Constrangeu-me pensares
que te olhava embevecido.
embora bela,
não te via!
Apenas lia,
distraído,
o poema na janela.

(da 17ª edição do programa "Poemas no Ônibus)

(com uma curiosidade: enquanto eu anotava esses versos, notei que havia uma adolescente muito bonita ao lugar abaixo do adesivo; quando terminei de copiá-los, seus olhos estavam fitos EM MIM! Fiquei todo errado. Foi divertido: senti-me flertado por conta da poesia! E há quem diga que Literatura não é romantico...)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Como escrever um TCC