quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lendo nas entrelinhas

Eu vou fazer um leilão / quem dá mais pelo meu coração. Essa é a tônica do mundo surrealista em que vivemos. Ou se perdeu o romantismo, ou é mister que se dê algo para que se arrebate o coração de alguém. Daí, ninguém dá nada, por pé-atrás, e ninguém é de ninguém.

Eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem. Li certo artigo, há umas cinco ou seis semanas, que dizia da evolução dos relacionamentos conjugais, entendendo o autor que passaram pelos estágios do amor-dever (imposição familiar), amor-amor (a escolha pelo sentimento), amor-prazer (aquele infinito enquanto dura, do Soneto de Fidelidade) e do amor-líquido (o padrão tá todo mundo louco, oba). Até que ponto as pessoas irão desejar isso?

Primeiro, desejava-se casar com quem se amava; depois, relaxar-e-gozar (no sentido sexual, mesmo); e depois, o que virá? O Apocalipse?

Acho que é no Admirável mundo novo que os cidadãos faziam sexo com instrumentos que atiçavam sinapses e, com isso, fazia-se TAD (trepada a distância); “como se engravidava, então?”, pergunta o arguto companheiro. Simples: laboratório!

Será esse o nosso destino, acabar deixando tudo passar correndo diante dos nossos olhos, assim como as árvores passam fora do metrô? Assim como elas, será que o que passa por nós está “em deslocamento” ou somos nós que temos medo de não sermos um mutatis mutandis?

Inovações, sim, mas a velha opinião formada sobre tudo ainda merece estar na prateleira das informações. Permita Deus que dure, por muito tempo, o arrepio do frenesi, a piscadela do flerte, o sorriso maroto da folia adulta, esconder a unha roída (ou comprida demais, o que costuma ser o meu caso), usar meia furada e meter os dedos nos furos dos bolsos. É isso que nos faz superior aos animais e coroa da criação divina: ousar querer onde não se lê. Espero que nos mantenhamos nesse status, não transformando o amor em concorrência pública*, não sendo exatos quanto uma calculadora científica.

+ * + * +

* Sobre concorrência pública amorosa, fazer piada para isso não há problema. Fiz, uma vez, um “concurso público” conseguir namorada. Não deu muito certo, mas a piada, à época, foi boa!

3 comentários:

teresinha disse...

Era sobre esta matéria o meu comentário sobre a mudança do filósofo. Hehehe! Mandei o comentário para o outro artigo. De qualquer forma, não dá nada! Beijo, filhooo!

Lúcia disse...

Outro dia assisti 'sex and the city'. Esperava qualquer bobeirinha de filme de mulher. Mas foi pior. Tentaram falar de amor. Eu achei um absurdo. Quem imagina que o amor é para se fazer feliz, engana-se. Amor é fazer outro feliz. A nossa felicidade é consequência. Enquanto buscamos apenas a própria felicidade nunca vai dar certo.

teresinha disse...

Sábia moça, Lúcia. Concordo com você em gênero, número e grau. Não a conheço mas já passei a admirá-la. Seja feliz, amando. Beijo, Filhooo!