quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Olha pra mim!

A mentira é o artifício que nos proporciona o que a verdade não pode proporcionar. Se ambas fossem às compras, uma pagaria em dinheiro e na bucha, de uma vez só – se possível, até o faz em moedinhas, pra não ficar nenhuma dúvida da procedência dos níqueis; a outra, porém, negociaria muito bem, faria uma barganha padrão shalom alechem e pagaria com cheque pré-datado, confiando no salário que não recebeu e, assim, no dinheiro que não tem.

A verdade é clara, límpida, simples, quase tola e banal. O que é, é, como num princípio eterno, que sempre a mantém e para sempre a conserva. A mentira é cheia de condicionais; pode ser lógica, mas não necessariamente; o problema é que, quanto mais lógica, quanto mais coadunável, quanto mais silogismos, relações bicondicionais e reductio ad absurdum, mais firme se resulta – e mais se parece com a verdade.

Nada é mais banal que a circunstância explícita: um sardento, um gordo ou uma bunda grande parada no meio da rua são pouco mais que demonstrações meramente físicas; contudo, muito agregarão de interessante se as sardas do moço foram conquistadas enquanto combatia pelo exército de seu país, se a obesidade é fruto de uma doença rara ou se o derrière é componente fundamental de sedução de uma passista de escola de samba. Entretanto, arrisco-me a dizer que a existência dos primeiros atributos não condiciona à dos segundos, nem tampouco a existência dos segundos carece da dos primeiros: nem toda passista possui glúteos fartos, e nem toda detentora de quadris largos sabe sambar.

Enfim, há atributos sutis, escondidos em nossas particularidades, que não se exibem de pronto às companhias que a vida nos apresenta, como um namorado (e isso é comum na adolescência), uma doença, uma música na cabeça ou um bebê no ventre; revelá-los é trazê-los à curiosidade comum, mas é também escondê-los na própria aparência, guardando-os na própria exposição, de um modo muito semelhante ao que acontece com a cebola, que, se plenamente descascada, nada lhe resta.

Acho que a maior manifestação disso é a gravidez. Quando a mulher chama as amigas para um happy-hour, para um passeio no shopping ou meramente à típica ida ao banheiro, e contam às companheiras de gênero que está a carregar uma célula-ovo dentro de si, o frenesi toma conta do ambiente, e todas (e todos, por que não? Os homens também se empolgam com essa notícia, embora nem sempre manifestem de movo veemente) passam a falar dele, o novo cidadão, o bebê destinado ao devir. Engana-se gigantemente a gestante que crê que passará a ser o centro das atenções: todos querem ver o barrigão, o ultrassom, o enxoval, não as estrias, os pés inchados e as dores nas costas, fora as mamas vazando, o enjoo sagrado, a dificuldade em se cortar as unhas dos dedos do pé e a marcha de pata choca.

Poderemos contar que, um dia, na história da nossa democracia, ficamos horrorizados com a história de uma grávida carente e toda arranhada estando distante do torrão que a viu nascer; mas a mentira dela perdeu as peças de sustentação e ficou frágil, frouxa, fraca; ruiu, mesmo estando apoiada em uma série de outras mentiras; ruíram todas, uma a uma. Do seu real motivo para falsear a verdade, talvez nunca saibamos; o que talvez haja acontecido seja a necessidade de se consumir um artigo chamado “atenção pessoal”, escasso hoje em dia. O que eu sei é que, em geral, compramos parcelado para poder comprar mais; e se era realmente o produto que a brasileira desejava, simulando uma gestação e talhando uma série de riscos ao próprio corpo, podemos dormir certos de que conseguiu. Até mais do que precisava. Até mais do que poderia querer.

5 comentários:

Lúcia disse...

Duro de engolir, difícil de entender. Sinto vergonha por tabela, por ser mulher, por ser brasileira.

Teresinha disse...

Aí cabem bem os adágios populares: "Nem tudo o que parece que é, é o que parece." ou "Nem tudo o que reluz é ouro." Mas eu "tô" com pena dessa moça, deve ser doente. A psiquiatria forense deve até isentá-la de pena. Uma pessoa jovem, linda, formada. Não é normal. Vai ainda lhe custar muito caro esse gesto insano, embalado por uma não menos doentia fantasia

Anônimo disse...

A pior parte é a do pai, que saiu do Brasil para resolver o problema da filha, aparentemente doida.
Cada um colhe o que planta.

Wilson.

Chris disse...

Putz!! Eu preciso dizer que fico P**** , pe da vida? Preciso!!
Caraca, o que a mulher tem na cabeca?? E o pior e a associacao que o povo vai fazer as brasileiras...ja nao basta as peladas do carnaval, os politicos corruptos, agora MENTIROSOS!! NAo da!!! Quero vomitar!
Serio a gente ja tolera a cara de pau dos politicos, e agora tolerar a cara de pau de uma... "irma" de patria?? Nao, nao da! Me recuso!!
ME senti engada.... Qdo li a noticia no primeiro dia que disseram que ela tinha sido atacada, fiquei mal o dia inteiro!! Eu trouxe para mim toda uma carga de sofrimento...para que?? Tudo se acaba no carnaval!! Que por acaso ta ai ne??
Semana que vem todo mundo ja esqueceu com o coma alcolico!! Putzz...nao sei...nao quero mais falar...quero gritar!!!

Cris Andersen disse...

Hum.... falta-me conhecimento prévio.
Do que, exatamente, o texto tava falando?

O.o