Desde sempre, odiei vomitar. A sensação pós-embrulho estomacal sempre me causou pavor. Era uma violação do meu corpo pelo meu corpo, algo insuportável para mim, de sorte que, ao menor sinal prenunciando a pirotecnia estomacal, já me via aborrecido.
Foi assim que conheci a palavra "ânsia", sempre associada a vômito. Ânsia - ou, melhor, "ânsia de vômito" -, por seu caráter, era algo que me era por natureza indesejável; como meu corpo me domina(va) nesse tipo de caso, pouco me resta(va) senão descomer.
Pela minha primeira impressão com o vocábulo, sempre odiei a ânsia. Ânsia e desejo estão diametralmente opostos no meu psiquismo: uma coisa é estar desejoso e, por conta disso, animado; outra costrastantemente diferente é estar ansioso. Odeio a ânsia - ao menos, a ânsia que entrecruza sua história comigo.
Acho que ando ansioso. Sei que tenho algumas tarefas que estou a procrastinar há algum bom tempo. Se não bastasse tê-las, preciso pô-las para fora. Não gosto de ter tarefas inconclusas. Não gosto de realizar tarefas das quais eu não goste, no que imagino não diferir da humanidade. Tenho há meses a nítida impressão de que, ao me desvencilhar dessas pedras em meu caminho, viverei algo tão doloroso quanto mantê-las em aberto. Mas preciso me desvencilhar. E agora?
Acho que "ânsia" está muito próxima, para mim, de "agonia" - que, mais que sofrimento, é uma incapacidade de criar algo. Pois é. Agoniado ou ansioso, é assim que estou.
Espero que a próxima semana me ajude: estou saindo de férias. Lá, pretendo escrever o que preciso, ler o que preciso, fazer o que preciso. O problema é que serão apenas meia dúzia de dias - literalmente, no que é a expectativa mais provável. Moral: férias, de verdade, é possível que não. Mas eu preciso acabar com essa ânsia agoniosa que me consome, essa pedra no meio do meu caminho.
Coragem, meu Deus, coragem. Força para mudar, serenidade para aceitar e sabedoria para diferenciar. So help me God.
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