terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Progresso demais?

Considero-me um tanto conservador, mesmo sendo aberto o suficiente a mudanças. Por vezes, é mero gosto, e a resistência é ignorância pessoal; por outras, é anacronismo meu, e necessito mudança urgente. Em ambos os casos, é como o início de uma dança, em que se faz preciso entender como o par leva a perna, a ginga, o passo, para depois passar o resto da noite com ele. O gosto da mudança é marcante, meio estranho, meio doído; não é ruim, é apenas diferente. Pode ser intragável num primeiro momento, mas o tempo vai dando jeito de burilar a gustação e permitindo que, quiçá, passe a ser agradável.

Digo isso porque vi uma propaganda que me chocou: sendo época de Carnaval e procurando evitar novos casos de AIDS, o Governo Federal criou uma campanha em que a camisinha conversa com o usuário. Até aí, nenhuma novidade. O que me causou estranheza foi que, numa delas, o diálogo se deu antevendo o encontro de um casal de homossexuais masculinos. Não era subentendido: o condom e o indivíduo falaram da aparência do parceiro, e depois ambos se encontram num abraço afetuoso.

Sou cristão, sem nenhuma hesitação, e por sê-lo, vejo a prática do coito homossexual como uma conduta abominada por Deus; todavia, também sou pessoa sensata, e não posso desconsiderar pessoas que porventura não creiam no mesmo que eu, pelo simples fato de, assim como eu possa crer sinceramente que eu esteja certo, eles também o podem em relação a si próprios. E daí, o que fazer? Respeitar, tolerar e conviver com harmonia, justiça e igualdade. Mesmo assim, há coisas que, mesmo que cotidianas, ficam sob o véu da discrição (ou da hipocrisia, sejamos sinceros), e uma delas é a orientação sexual. Não se costuma comentar da sexualidade dos filhos com muita animação, principalmente se la não for a hegemônica heterossexualidade. E agora?

Mudam-se os tempos, mudem-se os costumes. Pouco faz que a Itália passou a fazer propagandas pelo uso da camisa de vênus. Certos eles? Se for pelo dito do Santo Padre, que condena o uso do contraceptivo por conta da libidinagem a que ele permitiria, mais deveriam haver demorado; se for pela sanidade pública, e a AIDS é caso de sanidade pública, a propaganda demorou muito para vir.

Vi num telejornal, dia desses, que o HIV vem encontrando no sexo homo lugar amplo para se alastrar. Se é assim, convém, antes de dizer que é pecado, dizer que é inseguro se não forem empregadas as técnicas de prevenção adequadas - leia-se "camisinha". Vai chocar os samuéis? Talvez. Pois que fiquem chocados: mais valem a vida chocada que a morte inconteste. Mas que o choque alarma, alarma...!

4 comentários:

Anônimo disse...

Pogréssio, pogréssio, nóis sempre escuito falá - pogréssio vem do trabaio...

Deus odeia o pecado, mas ama o pecador.
Volta e meia (inclusive hoje) faço entregas em bar gay. Acho que sou o único dos caminhoneiros que trata esses clientes com respeito durante a entrega e depois de voltar pra empresa - mas como cristão, eu discordo plenamente da prática deles.
Vou deixar que Deus os julgue - acho que eles já enfrentam juizes demais.

E ELES QUE RESPEITEM MINHA ORIENTAÇÃO SEXUAL: HÉTERO E MÁSCULO!
Captain Forr

Cris Andersen disse...

Na verdade a chance de cointaminação pelo vírus HIV mediante coito anal, tanto ativo quando receptivo, é significativamente maior que o coito vaginal ativo ou passivo. Baseados nessa informação (verdadeira) dizem que o homossexualismo é resposável pelo alastramento da doença (mentira).

HOje em dia o coitro heterossexual desprotegido é a maior forma de contágio pelo HIV, não mais o homossexual.

Assim sendo, samuéis chocados ou não, todos devem usar camisinha, seja João e Maria ou João com João.

Ministério da Saúde disse...

Cris,
O contágio por DST vem aumentando tanto nas relações homossexuais quanto nas heterossexuais.
Com relação ao sexo anal e vaginal, é importante deixar claro que, no sexo anal, é grande a possibilidade de transmissão de DST, pois a pele do ânus é extremamente irrigada e não possui lubrificação própria, e durante o atrito da relação sexual pode ocorrer a infecção. No caso do sexo vaginal, também existe grande possibilidade de transmissão, pois há a troca de secreção e contato com o sêmem.

Ministério da Saúde
Para outras informações, fernanda.scavacini@saude.gov.br

Ministério da saúde disse...

A melhor prevenção é a informação. Por isso, o Ministério da Saúde lançou a Campanha Use Sempre, para informar as pessoas sobre as medidas para prevenir as DST/Aids. Não podemos vacilar. É preciso, além de usar camisinha, ajudar a disseminar importantes informações sobre assunto. E você, por meio do seu blog, pode nos ajudar nesta tarefa. Podemos contribuir em sua página, com informações, vídeos e outros materiais.

Para mais informações fernanda.scavacini@saude.gov.br