quarta-feira, 1 de julho de 2009

Crise do meio do ano

Estou convivendo com as palavras do Raul: “eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado / porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto "e daí?"; eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado

Não que minha vida seja fácil, linda ou algo que o valha; demorei algum tempo para conhecer alguns luxos que a vida oferece, e isso porque nem sempre vi à minha frente as melhores condiçoe$ para tocar todos os sonhos que almejei. Tá, nunca fui completamente Pelado (com P maiúsculo, pois com minúsculo, posso dizer que fui), mas consegui fazer valer a pena minha formação acadêmica e meu conhecimento geral. Tá, e daí?

Sei lá. Ando meio injuriado da vida. Mais uma vez sou socorrido pelo parceiro do mago: “eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo pra ir com a família no Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos / Ah! Mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco”. Fui, vi e venci. Naveguei por precisão, desafiei as procelas por necessidade. Tá, e daí?

Fim do curso de Direito. Permitindo o Grande Arquiteto do Universo, 21/01/10 é o dia da cerimônia. Bel. Samuel Aguiar da Cunha, o Sami da mamãe, o bichinho da goiaba da titia, o guri do pai. Tá, e daí?

+ * + * +

Aprendi no Direito que há duas coisas a se pensar quando se atua no Judiciário: uma é o Direito material, aquele que diz que é crime matar, que dá direito de herança aos filhos ou que obriga o desgraçado que nos bate no para-lama pagar o conserto; a outra é o Direito processual, que é o modo como eu vou reclamar isso. Assim, não há que se falar em procedimentos judiciais sem direitos a reclamar. Isso é basilar, primordial.

Acontece que o advogado, que quer vencer a qualquer custo, muito usa dessa artimanha – olhar o processo ensimesmado – para pedalar sua demanda, mandando para o-raio-que-o-parta a discussão material. São essas coisas que fazem com que a população se enoje da conduta de certos juízes, que não dão aposentadoria às velhinhas porque o processo não foi bem defendido, ou que inocentam os suspeitos por firulas.

Pois é. Não raro acabo me sentindo um meio, e não um fim. Não é de hoje, confesso. E não posso reclamar. Muito acho que a vida é assim mesmo. Droga de vida.

+ * + * +

Michael Jackson era famoso porque dançava da frente para trás ou dançava da frente para trás porque era famoso?

A pergunta conduz a erro: a primeira acepção da conjunção (famoso porque dança) joga como primário, no ritmo lógico, a situação de dançarino, e, como consequência, a fama; na segunda assertiva (dança porque é famoso) joga a fama como antecedente à dança. Contudo, nenhuma das duas lança os olhos ao fato de que Michael Jackson é, independente de ser famoso ou dançarino.

Será que meu olho está se acostumando a ver funcionalidades ou nós só valemos o quanto pesamos?

3 comentários:

Ingrid Scherdien disse...

Oi Samuel.

Eu me formo ano que vem em design e já me sinto próximo do "e daí?".
É um saco... o que mais posso fazer, como desenvolver tudo aquilo que preciso, quero. E ai, como movimentar essa roda mais rápido e de forma mais eficiente?

Bom, em primeiro lugar, parabéns. Estás entre privilegiados, sem dúvida. Em segundo, faça tudo da melhor forma que você puder, com paixão e determinação. Honestidade e valores cristãos que eu sei que tens também conduzirão as coisas da melhor forma.

Por fim, acho que o mundo não é nenhum pouco justo. Ainda não é.
Talvez por isso tenhamos que lidar com inúmeras coisas sem entendê-las muito bem.

Boa sorte!

Anônimo disse...

Parabéns Sami.
Quero deixar 2 ou 3 idéias pra vc:

1- Faça justiça. Busque justiça, mas dentro do razoável.
Quando erramos, desejamos misericórdia. Quando erram contra nós, queremos justiça.
Simplesmente somos assim.
Lembre-se disso e atue com sabedoria. Abrace causas dignas e recuse causas frívolas,
daquelas que, por exemplo, alguém tentando legalizar estelionato através de processo
"por propaganda falsa ou enganosa" quando é obvio que uma promessa é absurda ou casos similares.
Fuja de causas frívolas e faça do seu nome um sinônimo de respeito.
Coloque-se no sapato de todas as partes antes de iniciar o processo. Não seja muito rigoroso.

2- Conheci um estudante de direito que queria trabalhar "com divórcio de gente rica, que isso dá dinheiro."
Não caia nessa armadilha. Divórcio é uma mutilação emocional entre as partes e machuca os envolvidos independente da riqueza que possuem.
Faça o seu trabalho e ganhe por isso, mas não explore dor alheia.
Não persiga ambulância atrás de causas. Cuidado com processos por erros médicos (ou qualquer outro erro profissional).
Tenha bastante misericórdia, que misericórdia vai e volta, como um bumerangue. Rigor também.

3- Poucos sabem isso, mas PRA CADA DIREITO CORRESPONDE UM OU MAIS DEVERES E OBRIGAÇÕES QUE O PRECEDEM!
Cuidado com isso. Todos querem ter seus direitos respeitados, mas muitos procastinam com as obrigações. Sei disso... Trabalho com preguiçosos
e sei quem são os que mais fazem reclamações ao sindicato... E os que mais produzem são os que menos reclamam direitos não respeitados...
Coincidência?

Antes de consultar a lei, consulte a consciência pra ver se algo que é legal é também moral.
Veja o caso de famílias processando a GOL pela morte de familiares, sendo que a GOL foi vítima... Perdeu aeronave, perdeu tripulantes, perdeu status...
A lei estipula que eles tem direito a indenização, mas será que é moral processar a vítima só porque a lei permite?

P.S - Voltando ao assunto da idéia número 1, sobre misericórdia, hoje (em vôo solo) eu cometi um erro, não um crime, mas um erro... Decolei sem ligar o
transponder e demorou pros controladores perceberem e me avisarem (pra evitar congestionar o radar e confundir os controladores, todo o taxi é feito com
o transponder em stand by e só é ligado na pista, após autorização pra decolagem).
Melhor tratar os pilotos do Legacy com misericórdia. Talvez o transponder estava desligado o tempo todo e nenhum controlador percebeu?
Pode muito bem ter sido um erro, não um crime intencional... Melhor deixar a justiça decidir e não apontar dedos.

Abraços e parabéns!
Captain Forr

Lúcia disse...

Parabéns, Samito!!!
Olha, nos últimos tempos tenho precisado do auxílio de advogados e vou te dizer, eles têm sido uma bênção tão grande para mim que os incluí na minha lista de orações. Seja um bom profissional, ajude quem precisa e tenho certeza que você encontrará muito mais do que realização, você vai é ser usado por Deus!!!
Tudo de bom procê!!
Bjins