terça-feira, 7 de julho de 2009

Perséfone

Tipo assim, ó, antes de falá da Perséfone, eu vô falá do pai dela, o Zeus, só pra gente tá ligado como é que era a família dela e vê que a parada não era tão moleza assim.

Zeus era o cara. Ele era o que mandava nos deus tudo, mandava nos home, nas mulhé, nos bicho e, se quisesse, inventava até uns monstro pra podê mandá neles. Ele era casado com a Deméter, que era gente fina, mas era aquelas mulherzinha que só reclama, tá ligado?, aquelas que fala “ai, amor, a tornera da cozinha tá pingando”, “ai, amor, busca pãozinho na padaria” ou “ai, chuchu, como tu tá fedendo”. Ela era assim, bonitinha, mas ordinária. Acho que ela era a única que aguentava ele, porque ele era da cabeça virada, comia as mina tudo e tava poco se lixando pro que diziam dele.

E não é que o cara acaba tendo uma filha gostosa? Pô, mano, a filha dele era mó gostosa: corpinho em dia, peitinho durinho, bundinha arrebitada, bem branquinha, com o cabelo claro e cacheado, dessas que só aparece nos sonho e nos filme americano dos raiskul-miusical. Cara, a mina era uma loucura, e a urubuzada caía em cima, porque a pinta era gostosa, mas não era fazida, e isso que nem tinha virado mulher e já era tudo isso.

Mas então, mano, a mina ainda era adolescente, sei lá, uns 16 aninhos, mas já mostrava que veio ao mundo pra dexá véio de quexo caído, e um tiozão, o Hades, se encantô por ela. O Hades era mó estranho, se dizia deus do mundo da morte; meio punk, ele. O cara se achava todo, mas era mó vacilão, porque um loco lá, o Sísifo, botô uma coleira no pescoço dele e dexô ele preso lá um tempão e ninguém morria! Mas ele se gamô na filha do cara lá e pediu pra ele pra liberá a mina pros mano, porque a mina era gostosa e ele ia tratá dela como uma deusa, ia botá num trono e fazê que ela fosse cuidada só com as raridade, perfume Kálvin-klain, maquiage Vitória-sícret, botinha Doltigabana e bolsa Vitorugo, que é da grife dos magnata. A mina ia ganhá tudo isso, só precisava sê mina dele, só dele, e esquecê essas parada de baladinha, quip-cúler no posto e fotinho de Orkut no espelho do colégio.

O pai da mina não era lá muito de compartilhá as coisa com a patroa e topô mandá a filha lá pa caverna do maluco esse, porque pensô “vô tê um gasto a menos e um troxa pra pagá as conta dela; não dá duas e treis e ela vai aprendê o que é bom pra tosse dela”. Daí, ele dexô o lôco casá com a mina e nem avisô a Deméter, que surtô de veiz, ficô em depressão e não cuidava de nada.

O casamento da mina não era lá o pirulito. Ela até gostava dele, mas era pirralha, não queria sabê de bimbá com o cara, e o cara lôco pra arrasá na cama com a mina, e a mina se fazia de rogada e não queria. Eu não vô dizê o que eu acho disso porque o blog do mano Samuca é um blog de família, de gente decente, não pode falá palavrão, mas pqp!, que mina que era fazida! Mas ela se deu mal, porque ele, enchendo ela de mimo, levô pra balada de be-eme-dábliu, pagô champanhe importado e, o mais importante, véio, ela comeu um baguio de romã. Perdeu, mano, perdeu! Se a mina não quisesse, que fizesse greve de fome, mas comeu o baguio da romã (tá ligado o que é romã? Aquela fruta que se come no reveiôn, pra dá sorte no ano), aí, aceitô casá. Agora, mano, mata no peito e chuta pa freinte, porque tá no time titular, vai tê que segurá o rojão.

Mas a mãe dela, a Deméter, era fazida, a lôca. Toda coitadinha, toda delicadinha, mas o passado dela não era lá uma coisa tão bonita. Antes de casá, era safada de doê, ia nos baile funk de saia pra podê derrubá os cara ou de calça atolada do rêgo e sem calcinha. Daí já viu, mano, a pinta enbarrigô e nem sabia de quem era, e daí deu a criancinha pra mãe dela, eu acho; eu sei que ela não ficô com a criancinha, porque disse que era novinha e que queria rebolá e saí com os cara. Quando se apaixonô pelo Zeus, se fez de menininha do papai e o cara acreditô, e ficô do jeito que tá. Só que a criancinha cresceu e deu otra baita gostosa, a Despina, mas que se mordia da Perséfone. Enquanto a Perséfone era lorinha e toda meiguinha, a Despina tinha cara de safada e um corpão de matadora, com aquele olhar de matadora, tá ligado, mano? A mina era morenona, com um bundão de cinema e os peito de bondiguél, digna de botá rôpa de couro colada nos coxão grosso e dexá os lôco tudo torto de tesão; ó, só pra encurtá a história, mano, uma era um anjinho, dessas que a gente qué pra casá e tê um monte de filho, e a outra é das que a gente qué pra doze hora de suíte. Mas o que a mina tinha de boa, a Despina, tinha de recalcada: tinha inveja que a lindinha tinha casado, que ganhava calça da Gang, vestidinho do Ercovíti e umas prata manêra da Agá-isterni, que era a rainha lá do submundo e que o marido dela era caidaço pela patroa dele, e ela ficava braba e quebrava tudo, mano, parecia quando tava no barato, botava tudo pra quebrá no mundo dos mortal, se aproveitando que a mãe das duas tava de depressão, na fossa mesmo, mano, derrubada, sem a filhinha gostosa.

Daí, o Zeus não guentava mais a Deméter xaropeando “eu quero a minha guriazinha, eu quero o meu bebê, eu quero a Pê, eu quero a Pê” e foi lá falá com o cavernoso, porque a patroa dele não parava de enchê o saco e a gostosa da Despina se aproveitava e acabava com as plantação, tudo. O Hades, que é ligado, não ia dizê “não” pro chefe, e combinaram o seguinte: que a Perséfone ia ficá seis meis com eles, pra não aborrecê o poderoso, mas ele queria ficá com ela os otros seis meis, pa podê zuá, curti, essas coisa, tá ligado?

E assim ficô: a mina virô filhinha de papai por meio ano, quando continua guriazinha da mamãe, e a fazida da Deméter fica feliz e dexa tudo bonito pra filha, e nóis, os mortal, curtimo o verão, e a otra metade do ano ela fica com o cavernoso do Hades, quando ela se torna um mulherão, rainha da morte, e a mãe dela fica deprimida, escondida, e a irmã gostosuda dela acaba com tudo, e nóis fica aqui no inverno.

E tem gente que tem a cara de pau de dizê que não é refém dos cara lá de cima...

2 comentários:

Anônimo disse...

Olha cara... Esse nosso verão aqui, com dias a 10 graus, e não passando dos 24... tô achando que contraria a sua explicação.
Pelo menos está explicando melhor que a ciência, que fala num tal de aquecimento global que eu não sei de onde inventaram. Deve ser mito!
Captain Forr

Cris Andersen disse...

minha perséfone tá com hades agora...