terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Livrai-nos do mal. Amém"

Peguei o metrô para ir a Sapucaia; uma e pouco da tarde, polenta ainda fazendo a digestão, vagão sacudindo, batata: peguei no sono. Foi pouquíssimo tempo, nem cinco minutos, mas foi o suficiente pra infestar de gente feia à minha volta. MUITA gente feia. O pior é que TODOS desceram comigo, na Estação Sapucaia. Pois é, talvez eu faça parte do grupo.

"As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Não é à-toa que Vinícius de Moraes é incensado.

Ainda que eu goste de corpos femininos, seria demais pedir um mínimo de cuidado às "musas" da minha geração? Pois é. Uma ex-namorada minha dizia que "tudo que é bagulho desce sempre em Sapucaia". Deve ser por isso que trabalho lá há cinco anos.

Ao chegar ao meu destino, subindo a escada-rolante, olhando para os degraus para não pisar em ninguém (escada-rolante que funcione no metrô é como ponta de arco-íris: a gente sabe que existe, mas nunca encontrou), contemplei um scarpin marrom bastantante elegante. Olho a mulher em cima deles: um derrière fenomenalmente grande, tão grande que nem tinha graça; fiquei com vergonha, voltei pro scarpin e me decepcionei: era de uma cor odre encardido, com uma tatuagem num cursivo horroroso, em que se lia "livrai-nos do mal. Amém". Que tristeza. Se a cor já era feia, o odor devia ser deletério, bem ao sabor dos Irmãos Karamazov.

Diria Niemeyer, "beleza também é função". Alguém se arrisca a contratiar?

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