Julguei curioso. Vamos colocar aqui e tirar um pouco da poeira do local.
Saúde, força e união!
+ * + * +
O Policial Militar colocou-se de pé e ficou diante de DEUS, pronto para última inspeção pela qual teria que passar, apresentando-se com a fivela do cinto emblemas de metal brilhando, seus coturnos com brilho impecáveis.
- Disse Deus:
"Um passo a frente, Policial!!!!"
"Como deverei julga-lo?"
"Fostes fiel à Igreja ?"
"Destes o outro lado de tua face ao inimigo?"
"Abençoastes teu irmão?"
O Policial Militar tomando posição de sentido responde: NÃO ! NÃO SENHOR!
Nós que andamos fardados, nem sempre podemos exteriorizar nossos sentimentos!
Na maioria dos domingos, cumpria alguma escala de serviço e na igreja não ia Senhor...
Em muitos momentos falei de modo impuro... houve muitas vezes em que fui violento, mas entenda Senhor.. meu mundo é muito duro...
Nunca peguei um tostão que por direito não fosse meu. E quando mais uma conta se acumulava, aos trabalhos extras eu me dedicava, e de minha família me afastava...
Senhor Deus, é Pai, és Fiel e sei que me perdoa, pois chorei por coisa a toa, por problemas que não eram meus, por pessoas que se quer conhecia, mas o choro foi de emoção e de gratidão, me flagrava emocionado, queria um mundo melhor a todos, sem distinção.
Reconheço que não mereço estar na Tua glória; errei muito e bem sei que vários dos que ai já estão jamais me quiseram por perto, a não ser quando estavam com algum problema, e eu incondicionalmente estava pronto para ajudá-los.
Se tiver um lugar para mim, agradeço de coração e luxo não preciso não. E caso não haja nenhum, saberei entender a Tua verdade.
Antes de sua decisão amado Deus, rogo ao Senhor para que vigie com carinho e cuidado aqueles que lá deixei, pois são pessoas que amo, e que não mais poderei proteger.
Um silêncio absoluto paira ao redor do trono onde Anjos perambulavam.
E o Policial Militar, prostrando-se, espera o veredicto do SENHOR...
"Teu corpo me serviu com alma e coração... Amor, sentimento e dedicação;
Fostes escudo para o próximo... viveu em prol da vida...
Portanto... vá e anda em paz pelo paraíso...
O INFERNO já foi tua missão...".
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Leis: para quem?
Existem coisas nessa vida que são um tanto impensáveis para mim. Por exemplo, quando eu era criança, pensava que as máquinas de escrever das repartições públicas eram melhores que a da minha mãe. Por quê? Porque nunca havia pego um documento na mão. Hoje, crescidim e vacinado, não vejo nada de especial no serviço público, fora o fato de ser obrigado a seguir uma burocracia e de que NADA tem validade se não for protocolado, carimbado e despachado.
Depois que passei a ver as correspondências vindas de Brasília sem o devido cumprimento do Manual de Redação da Presidência da República, descobri realmente que o nosso problema não é transgredirmos as normas, mas de criarmos regras inexecutáveis, exempli gratia, o Manual de Redação da Presidência da República.
Há alguns dias, desde que retornei da Princesa do Sul à mui leal, valerosa e calorenta capital dos gaúchos, venho notando mais uma vez os lacres dos elementos de segurança dos ônibus: fico-me imaginando num sinistro escabroso (tipo uma queda em desfiladeiro, ou algo do gênero) e os sobreviventes – e eu dentre eles (é claro que eu estarei vivo; sou bisneto do McGyver, pai da minha avó materna) – ficariam se escabelando... com o lacre! Abrir uma janela é fácil: usa-se uma barra de ferro, um morto, um punho com pano (ou, no desespero, até com a mão desnuda) ou qualquer outro artifício (chaves de fenda, crânios ou até um canivete – como meu bisavô McGyver faria). Talvez NUNCA rompendo o lacre e baixando a alavanca, como o decalque do ônibus ensina. Para que criar algo que não seria usável?
Outra coisa que me incomoda é o decalque do metrô: por que ele diz que se deve entrar pela direita, quando o povo entra por qualquer lado da porta? Quem está errado? O decalque ou o povo?
Dr. Ricardo Waldman me ensinou: “o Direito foi feito para o homem, e não o homem para o Direito”. Será? Se pensarmos essa sentença no maior número possível de sentidos, acho que ficaremos ad absurdum pensando nela!
Bom, vou para o berço. Saúde, força e união!
PS.: lembrem-me de NUNCA MAIS assistir A Lenda de Beowulf. O filme não é dos piores, mas a animação me lembrava um jogo de PlayStation. Daí, não há quem agüente!
Depois que passei a ver as correspondências vindas de Brasília sem o devido cumprimento do Manual de Redação da Presidência da República, descobri realmente que o nosso problema não é transgredirmos as normas, mas de criarmos regras inexecutáveis, exempli gratia, o Manual de Redação da Presidência da República.
Há alguns dias, desde que retornei da Princesa do Sul à mui leal, valerosa e calorenta capital dos gaúchos, venho notando mais uma vez os lacres dos elementos de segurança dos ônibus: fico-me imaginando num sinistro escabroso (tipo uma queda em desfiladeiro, ou algo do gênero) e os sobreviventes – e eu dentre eles (é claro que eu estarei vivo; sou bisneto do McGyver, pai da minha avó materna) – ficariam se escabelando... com o lacre! Abrir uma janela é fácil: usa-se uma barra de ferro, um morto, um punho com pano (ou, no desespero, até com a mão desnuda) ou qualquer outro artifício (chaves de fenda, crânios ou até um canivete – como meu bisavô McGyver faria). Talvez NUNCA rompendo o lacre e baixando a alavanca, como o decalque do ônibus ensina. Para que criar algo que não seria usável?
Outra coisa que me incomoda é o decalque do metrô: por que ele diz que se deve entrar pela direita, quando o povo entra por qualquer lado da porta? Quem está errado? O decalque ou o povo?
Dr. Ricardo Waldman me ensinou: “o Direito foi feito para o homem, e não o homem para o Direito”. Será? Se pensarmos essa sentença no maior número possível de sentidos, acho que ficaremos ad absurdum pensando nela!
Bom, vou para o berço. Saúde, força e união!
PS.: lembrem-me de NUNCA MAIS assistir A Lenda de Beowulf. O filme não é dos piores, mas a animação me lembrava um jogo de PlayStation. Daí, não há quem agüente!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Planos para 2008
* diminuir a barriga (assim que puder, medirei a circunferência abdominal);
* quitar os cartões de crédito;
* aprender a cantar La Mer;
* arrumar meu home office (que merece a insígnia de pandemônio);
* fechar o ano com saldo positivo nas 35 contas bancárias;
* estudar mais;
* graduar-me em Filosofia;
* continuar o Direito;
* lutar para ser um bom estagiário de Direito;
* viajar para Montevidéu;
* fazer ao menos 01 salão de iniciação científica, mesmo que sem bolsa;
* trabalhar nas eleições municipais;
* tocar mais violão;
* tocar mais viola;
* tocar mais piano;
* tocar mais escaleta;
* ir ao oftalmologista;
* ser um homem livre e de bons costumes (se entender, entendeu);
* viajar a São Paulo;
* ganhar dinheiro.
Chega de promessas. Acho que, para 2008, já está de bom tamanho.
Saúde, força e união!
* quitar os cartões de crédito;
* aprender a cantar La Mer;
* arrumar meu home office (que merece a insígnia de pandemônio);
* fechar o ano com saldo positivo nas 35 contas bancárias;
* estudar mais;
* graduar-me em Filosofia;
* continuar o Direito;
* lutar para ser um bom estagiário de Direito;
* viajar para Montevidéu;
* fazer ao menos 01 salão de iniciação científica, mesmo que sem bolsa;
* trabalhar nas eleições municipais;
* tocar mais violão;
* tocar mais viola;
* tocar mais piano;
* tocar mais escaleta;
* ir ao oftalmologista;
* ser um homem livre e de bons costumes (se entender, entendeu);
* viajar a São Paulo;
* ganhar dinheiro.
Chega de promessas. Acho que, para 2008, já está de bom tamanho.
Saúde, força e união!
domingo, 9 de dezembro de 2007
Interregno
O vento bate nas madeixas. O medo ainda leva o homem a titubear. A angústia não deixa retornar. O sol castiga as retinas e fustiga a testa, sendo ali, por si só, a penúria.
O desespero de dívidas, a decepção no mundo, a dor da solidão. Tudo isso o empurrava para a ponta. Os chinelos, outrora confortáveis, eram agora pesados e inconvenientes. Não se quedava mais sossegado, e quaisquer atos ou circunstâncias que assim se lhes representasse era reputado por espúrio.
Da fé, estava decepcionado; essa família, que cria no superior, era-lhe medíocre, tacanha, e sequer o considerava. Num ostracismo indesejado, isolado de um amor fraterno, via-se inexpressivo. O grande e poderoso Dr. Sílvio Antônio da Costa, imponente perante os demais, é frágil perante si mesmo.
Suas dívidas, embora plenamente pagáveis, não lhes interessa. Numa apatia latente, a vida já soçobrou nas procelas da rotina. O castigo de Sísifo já lhe era realidade. Não queria isso. Queria mais. Queria tudo. Queria muito pouco. Queria apenas ser alguém.
Se Deus não existe, então tudo é possível. Seria mesmo? Lembrar do ensino secundário, das filosofias, das crenças, das diferenças, dos esforços de conciliar fé e razão, desse duplipensar inglório e que pouco lhe adiantou nos momentos de maior agonia.
Nada mais interessa. Agora, só uma coisa atrapalha: um gradil, que lhe tocava a cintura. A gravata, vermelha como um lenço maragato, apenas representava a degola que já sentia desde há muito. Já era um morto, e, se nunca havia pensado nisso, dava-se conta naquele instante.
Despiu-se da formalidade rubra; aquele nó, tão corrediço quanto o de uma forca, não mais o prenderia. Seria livre pelas próprias vias. Nem clientes impessoais, nem amigos que não tinha, nem família distante, nem a imagem do Deus medieval que lhe foi ensinada na tenra infância, nada mais o acompanharia. Faria um trajeto curto, mas só. Um único, para não mais voltar.
Eis o que queria: não ser mais ser um errante, nem o que viria a aparecer na folha policial, mas já que estava só, só queria estar, rumando ao infinito.
Abriu os braços. A brisa mais uma vez lhe roçou as poucas melenas. O zunido no colarinho agora desabotoado lhe incomodou. Chega de demora. Sou homem ou não sou? E tergiversou à rua, para não encarar seu futuro, jogando-se de costas edifício abaixo.
Lembrou de uma vez que se jogou de um balanço, quando menino. Não assistiu ao filme a que relembram os que batem às portas da morte. Despencava, numa taquicardia sufocante, mas ao encontro do que queria.
O fim não chegava, e já se irritava. Imaginava que sua queda não iria terminar, e não terminava mesmo. Nada mais fazia, nem criava, nem destruía. Apenas aguardava sua única solução.
Será que terminaria logo? Não agüentava mais. Ansioso, não via mais o fim de mais um tormento. Será que resolveria?
Cansou-se de mais um penar. Meteu os pés no sapato e saiu. “Droga de vida”, pensou. “Se ela é ruim, a morte também não tem virtudes”, e cansado de pensar, saiu mais um dia para a dura labuta.
O desespero de dívidas, a decepção no mundo, a dor da solidão. Tudo isso o empurrava para a ponta. Os chinelos, outrora confortáveis, eram agora pesados e inconvenientes. Não se quedava mais sossegado, e quaisquer atos ou circunstâncias que assim se lhes representasse era reputado por espúrio.
Da fé, estava decepcionado; essa família, que cria no superior, era-lhe medíocre, tacanha, e sequer o considerava. Num ostracismo indesejado, isolado de um amor fraterno, via-se inexpressivo. O grande e poderoso Dr. Sílvio Antônio da Costa, imponente perante os demais, é frágil perante si mesmo.
Suas dívidas, embora plenamente pagáveis, não lhes interessa. Numa apatia latente, a vida já soçobrou nas procelas da rotina. O castigo de Sísifo já lhe era realidade. Não queria isso. Queria mais. Queria tudo. Queria muito pouco. Queria apenas ser alguém.
Se Deus não existe, então tudo é possível. Seria mesmo? Lembrar do ensino secundário, das filosofias, das crenças, das diferenças, dos esforços de conciliar fé e razão, desse duplipensar inglório e que pouco lhe adiantou nos momentos de maior agonia.
Nada mais interessa. Agora, só uma coisa atrapalha: um gradil, que lhe tocava a cintura. A gravata, vermelha como um lenço maragato, apenas representava a degola que já sentia desde há muito. Já era um morto, e, se nunca havia pensado nisso, dava-se conta naquele instante.
Despiu-se da formalidade rubra; aquele nó, tão corrediço quanto o de uma forca, não mais o prenderia. Seria livre pelas próprias vias. Nem clientes impessoais, nem amigos que não tinha, nem família distante, nem a imagem do Deus medieval que lhe foi ensinada na tenra infância, nada mais o acompanharia. Faria um trajeto curto, mas só. Um único, para não mais voltar.
Eis o que queria: não ser mais ser um errante, nem o que viria a aparecer na folha policial, mas já que estava só, só queria estar, rumando ao infinito.
Abriu os braços. A brisa mais uma vez lhe roçou as poucas melenas. O zunido no colarinho agora desabotoado lhe incomodou. Chega de demora. Sou homem ou não sou? E tergiversou à rua, para não encarar seu futuro, jogando-se de costas edifício abaixo.
Lembrou de uma vez que se jogou de um balanço, quando menino. Não assistiu ao filme a que relembram os que batem às portas da morte. Despencava, numa taquicardia sufocante, mas ao encontro do que queria.
O fim não chegava, e já se irritava. Imaginava que sua queda não iria terminar, e não terminava mesmo. Nada mais fazia, nem criava, nem destruía. Apenas aguardava sua única solução.
Será que terminaria logo? Não agüentava mais. Ansioso, não via mais o fim de mais um tormento. Será que resolveria?
Cansou-se de mais um penar. Meteu os pés no sapato e saiu. “Droga de vida”, pensou. “Se ela é ruim, a morte também não tem virtudes”, e cansado de pensar, saiu mais um dia para a dura labuta.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
OAB, aí vou eu!

Recebi, em 20 p.p., a identidade de Estagiário de Advogado da Ordem dos Advogados do Brasil, conselho seccional do Rio Grande do Sul. Não pretendia divulgar a foto, mas prometi ao Pr. Wagner Araújo que assim faria (a rogo dele).
Acompanhei, durante esse semestre, algumas audiências nos Foros Central e Regional do Quarto Distrito. Apaixonei-me com o clima, a atividade, a forma cordata com que os nobres operadores do Direito se conduzem... Quero ser um operador do Direito! É uma tarefa complicada, admito; todavia, alguém deve fazê-la, e creio poder contribuir nesse mister.
A todos aqueles que estão torcendo por mim, meu reconhecimento e gratidão. Dentro em breve, convidarei-os para um cafezinho no meu escritório. Enquanto isso, se alguém quiser ir a uma cafeteria comigo, não ficarei nada triste!
Saúde, força e união!
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Contigo Aprendí
Contigo aprendi
que existen nuevas y mejores emociones
Contigo aprendi a conocer un mundo nuevo de ilusiones
Aprendi
que la semana tiene mas de siete dias
a hacer mayores mis contadas alegrias
y a ser dichoso yo contigo lo aprendi.
Contigo aprendi
a ver la luz del otro lado de la luna
Contigo aprendi
que tu presencia no la cambio por ninguna
Aprendi
que puede un beso ser mas dulce y mas profundo
que puedo irme manana mismo de este mundo
Las cosas buenas ya contigo las vivi
y contigo aprendi que yo naci el dia que te conoci
(Nelson Ned)
+ * + * +
Àquela, cujo perfume adoça minha vida, meu sentimento: amo-a!
que existen nuevas y mejores emociones
Contigo aprendi a conocer un mundo nuevo de ilusiones
Aprendi
que la semana tiene mas de siete dias
a hacer mayores mis contadas alegrias
y a ser dichoso yo contigo lo aprendi.
Contigo aprendi
a ver la luz del otro lado de la luna
Contigo aprendi
que tu presencia no la cambio por ninguna
Aprendi
que puede un beso ser mas dulce y mas profundo
que puedo irme manana mismo de este mundo
Las cosas buenas ya contigo las vivi
y contigo aprendi que yo naci el dia que te conoci
(Nelson Ned)
+ * + * +
Àquela, cujo perfume adoça minha vida, meu sentimento: amo-a!
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Encontro de cúpula
Já não era sem tempo. Deus convocou um encontro de cúpula com Luiz Inácio e Hugo Chávez. O venezuelano impôs uma condição para comparecer: a ausência do rei Juan Carlos. Luiz Inácio pediu que Deus admitisse ser brasileiro e que nunca na história da humanidade um presidente foi tão abençoado. Para evitar maiores altercações, embora aborrecido, Deus concordou. O problema maior foi o local da reunião. Deus queria um campo neutro. Sugeriu a Argentina. Os jornais de Buenos Aires deram manchetes: Deus propõe encontro no céu. Não houve acordo. Luiz Inácio preferia São Bernardo para aproveitar o fim de semana em casa e ainda poder ver o jogo do Corinthians contra o Grêmio na TV. Chávez sugeriu dois lugares purificados para o debate: Cuba ou Bolívia. Alegou que Fidel Castro estaria precisando de uma conversa com Deus para decidir o seu futuro. De Deus.
Um tanto desinformado sobre a política latino-americana, Deus cometeu uma séria gafe: defendeu, na falta de outra opção, a realização do encontro em Miami, com a participação de Bush, bom devoto, filho apegado ao legado do pai e cidadão do mundo. Indignado, Chávez aproveitou para soltar a frase bolivariana que trazia atravessada na garganta: 'Por que não te calas?' Deus não gostou. Ameaçou retirar-se antes mesmo do encontro se realizar. Chávez não se deu por achado e lançou um desafio ao Ser Supremo: 'Por que não convocas um plebiscito, como eu, para ver se a população mundial quer te manter no poder?'. Luiz Inácio apenas sorria. Ao ser entrevistado sobre as conseqüência do bate-boca do parceiro Chávez com Deus, tratou de minimizar o ocorrido: 'Deus está exagerando. Chávez não fez por mal. Ele é como o time do Corinthians: não suporta pressão'.
Em determinado momento, Deus pediu uma conversa reservada com Luiz Inácio. O presidente quebrou o protocolo e aceitou falar com Deus sem marcar audiência ou verificar a sua agenda. Para quebrar o gelo, Luiz Inácio foi logo brincando: 'O Senhor é que é feliz, meu Deus, nunca precisa mudar a Constituição para renovar o mandato. Eu também queria um mandato único, né mesmo?' Deus apresentou-lhe alguns dados que, segundo os assessores divinos, o faziam ficar de queixo caído: 12,6 milhões de brasileiros continuam miseráveis, a renda média familiar do Nordeste não alcança 60 reais por pessoa, o Bolsa-Família paga no máximo R$ 112,00 por mês, outros 30 milhões de brasileiros vivem pouco acima da linha da miséria, etc. Luiz Inácio não gostou muito. Alegou que só podia ser intriga da Veja.
Ao final, Luiz Inácio propôs uma aliança estratégica: em troca de algumas sugestões suas no sentido de melhorar a política humanitária de Deus 'a nível' global, o Todo-Poderoso garantiria a transformação da CPMF em contribuição permanente. Se não desse, poderia ser provisória mesmo, coincidindo com o tempo de permanência de Deus no comando. Por fim, depois de agradecer pelas novas jazidas de petróleo, com seu velho bom humor verde-amarelo, Luiz Inácio falou assim: 'Agora, Deus meu, passemos às coisas sérias, que ninguém é de ferro: o senhor não vai deixar o Corinthians cair, né mesmo? Pense no sofrimento do seu povo.' Deus não respondeu. Foi chamado ao telefone. Era Juan Carlos querendo alertá-lo para não andar em má companhia. Chávez, disse o rei, é o Diabo em pessoa.
(Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo, em 23/11/2007)
Um tanto desinformado sobre a política latino-americana, Deus cometeu uma séria gafe: defendeu, na falta de outra opção, a realização do encontro em Miami, com a participação de Bush, bom devoto, filho apegado ao legado do pai e cidadão do mundo. Indignado, Chávez aproveitou para soltar a frase bolivariana que trazia atravessada na garganta: 'Por que não te calas?' Deus não gostou. Ameaçou retirar-se antes mesmo do encontro se realizar. Chávez não se deu por achado e lançou um desafio ao Ser Supremo: 'Por que não convocas um plebiscito, como eu, para ver se a população mundial quer te manter no poder?'. Luiz Inácio apenas sorria. Ao ser entrevistado sobre as conseqüência do bate-boca do parceiro Chávez com Deus, tratou de minimizar o ocorrido: 'Deus está exagerando. Chávez não fez por mal. Ele é como o time do Corinthians: não suporta pressão'.
Em determinado momento, Deus pediu uma conversa reservada com Luiz Inácio. O presidente quebrou o protocolo e aceitou falar com Deus sem marcar audiência ou verificar a sua agenda. Para quebrar o gelo, Luiz Inácio foi logo brincando: 'O Senhor é que é feliz, meu Deus, nunca precisa mudar a Constituição para renovar o mandato. Eu também queria um mandato único, né mesmo?' Deus apresentou-lhe alguns dados que, segundo os assessores divinos, o faziam ficar de queixo caído: 12,6 milhões de brasileiros continuam miseráveis, a renda média familiar do Nordeste não alcança 60 reais por pessoa, o Bolsa-Família paga no máximo R$ 112,00 por mês, outros 30 milhões de brasileiros vivem pouco acima da linha da miséria, etc. Luiz Inácio não gostou muito. Alegou que só podia ser intriga da Veja.
Ao final, Luiz Inácio propôs uma aliança estratégica: em troca de algumas sugestões suas no sentido de melhorar a política humanitária de Deus 'a nível' global, o Todo-Poderoso garantiria a transformação da CPMF em contribuição permanente. Se não desse, poderia ser provisória mesmo, coincidindo com o tempo de permanência de Deus no comando. Por fim, depois de agradecer pelas novas jazidas de petróleo, com seu velho bom humor verde-amarelo, Luiz Inácio falou assim: 'Agora, Deus meu, passemos às coisas sérias, que ninguém é de ferro: o senhor não vai deixar o Corinthians cair, né mesmo? Pense no sofrimento do seu povo.' Deus não respondeu. Foi chamado ao telefone. Era Juan Carlos querendo alertá-lo para não andar em má companhia. Chávez, disse o rei, é o Diabo em pessoa.
(Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo, em 23/11/2007)
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