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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Malícia da vítima ou bondade do bandido?

A presença de espírito do taxista Waldemar Erani Cereça, 59 anos, salvou sua vida, ontem à tarde, quando era refém de dois assaltantes, que tomaram o seu táxi, em Porto Alegre. Após ficar uma hora e meia em poder dos criminosos, o taxista se livrou da dupla ao simular um ataque cardíaco, o que sensibilizou os bandidos. Eles deixaram o taxista na porta do Hospital Cristo Redentor e fugiram no carro da vítima, um Siena.

(tirado daqui)

+ + +

Não sei mais em que pensar! A vítima fez a maldade de enganar os sequestradores, que, por sua vez, foram caridosos a ponto de deixar seu coagido junto a atendimento médico. Isso é um quase "com licença, estou levando o seu carro". É, o mundo tá virado, mesmo. Ao menos, os badidos conhecem bem "a dignidade devida a todos os membros da família humana", como proclama a Declaração Universal dos Direitos Humanos...!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Outubro: mês da pancadaria

There are thirty-nine books on my table. Não, não é aula de inglês nem exagero. Há hoje, literalmente, 39 livros sobre minha mesa. Desses, pela conta de vista, uns 10 têm mais de 1.000 páginas (e desses, 4 têm mais de 2.000 mil). Acho que só isso já expressa o título do post.

Correria com leituraS, trabalho de conclusão em andamento (depois de uma ziguezira enorme), trabalho para semana de pesquisa da universidade, provas da faculdade y otras cositas más. É a vida.

Mas eu vou vencer! Meu cronograma de atividades tem até um nome: Operação Vitória! E mesmo que faltem 92 para acabar o ano, 100 para o último dia acadêmico-letivo, 111 para a colação de grau e UM MÊS para ver o famígero trabalho final com forma e volume quase definidos, mesmo que hoje pareça um dia de outono, mesmo com o barulho de reforma de um apartamento me incomodando as leituras desde às 8 da matina e que eu precise relembrar os acordes de I’ve got you under my skin, mesmo assim, EU VENCEREI!

(Lair Ribeiro, aprende comigo e morre de inveja!)

E pra fechar a autopalestra motivacional (eu sei, autopalestra é feio que dói, mas foi a Reforma que mandou), uma música cafona que eu gosto e que eu nunca havia colocado aqui: Eye of the Tiger!



(um PS bem baixinho: devo um texto pra Lu sugerindo o que fazer enquanto o maridones viaja. Vou fazê-lo, prometo)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

50 coisas que aprendi assistindo Chapolin

1. Automação residencial nada mais é que um sujeito chamado Pepe.
2. Existe uma grande diferença entre meteoros e aerolitos.
3. As Anteninhas de Vinil são mais eficazes e úteis que um cinto de utilidade.
4. Heath Ledger seria um excelente Tripa Seca.
5. Jamais esqueça de colocar os parafusos na cabeça do seu mordomo-robô.
6. Parangaricutirimirruaru é abracadabra em espanhol.
7. O Chapolin viajava no tempo.
8. O Poucas-Trancas mora na Barra Funda.
9. O extrato de energia volátil não é para principiantes.
10. Todos os fantasmas, vampiros e múmias são, na verdade, bandidos disfarçados.

11. ETs existem. E seus discos voadores podem ser controlados por um Nintendo Wii.
12. Ser um espião famoso não é um bom negócio.
13. Alguém conheceu a Disneylândia com o Polegar Vermelho.
14. Quando você não sabe o desfecho de um provérbio termine com “A ideia é essa, é mais ou menos isso…”
15. A Marreta Biônica é uma mistura do martelo do Thor com um bumerangue, pois sempre volta às mãos do Chapolin.
16. Se a NASA pretende ir até Marte em 2018, o Chapolin foi em 1973.
17. Se a tripulação já comeu tudo não há motivo para eles terem fome.
18. Duendes se parecem muito com marionetes mambembes. E bebem água da Jamaica.
19. Nunca acredite nos mortos. Eles são muito mentirosos.
20. A mãe da criança que Salomão sugeriu dividir é “essa aqui que tá aqui atrás”.

21. A moeda vigente tem sua cotação baseada em dois dólares. Ou um saquinho de alfafa.
22. Uma coisa é ser Sansão, a outra é usar a peruca.
23. A Elba Ramalho é do Planeta Venus.
24. Se alguma missão espacial da NASA se perder no universo, é só usar o código espacial universal SBBHCK para voltar pra terra.
25. O real nome da Branca de Neve é Patricia Espinolha, mas ela gostava tanto de bolo de coco que a apelidaram assim.
26. A combinação chroma-key + tinta amarela te deixa invisível.
27. Se outra pessoa ligar procurando o Dr. Zurita mande-o para o inferno.
28. Companhias de Energia elétrica devem orientar seus funcionários para não medir a energia de templos japoneses. Motivo: Simpato Yamazaki.
29. O nome completo do personagem é Chapolin Pataleon Colorado y Roto.
30. Uma fantasia de pedra pode realmente surpreender.

31. Um bebê de Júpiter é gigante perto de qualquer adulto.
32. Chirrin-Chirrion é o Ctrl+C / Ctrl+V dos anos 70.
33. Pulgas podem ser amestradas e possuir seu próprio circo.
34. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas o mais certo é “quem sabe?”.
35. Para que o louco não se enfureça evite contrariá-lo. Tem que imitá-lo. Etc, etc, etc.
36. Se o item 35 falhar, use narcótico. Ele coloca até privadas e latas de lixo para dormir, por que não colocaria um louco furioso?
37. Uma maquina para trocar cérebros nada mais é do que dois abajures ligados por fios.
38. Nunca procure um médico em dia de futebol.
39. Há um ditado de Navegante que diz: se quando viaja faz o que quer, quando viajar não leve a mulher.
40. “Reintegro”. “Patas de galinha”. A CIA e o FBI tem muito o que aprender sobre codificação de mensagens.

41. Nunca confunda mordida de cobra com o zíper da calça.
42. Algumas coisas não importam um honorável pouquinho.
43. Se alguém comparar o braço com As Pirâmides do Egito responda comparando o seu com o Colosso do Ceará.
44. Dançar mambo com os gêmeos.
45. “Não tava morto, só andava falecido” foi um grande hit mexicano nos anos 70.
46. Para atravessar a fronteira, basta um salvo-conduto. Se ele estiver vencido, veja quem o derrotou.
47. Inglês é fácil. Basta falar as palavras ao contrário.
48. Nunca desconfie dos empregados em caso de roubo. Eles são pobres, porém honrados.
49. Um dos maiores mistérios da humanidade gira em torno do que há no saquinho do Dr. Chapatin.
50. Em momentos de crise, SuperSam diria “Time is money! Ohhhh yessss!”

(daqui)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

... porque aqui, aqui é o meu lugar...

Andei longe daqui, o que é facilmente constatável pelas datas dos posts. Nesse meio tempo, corri, li, escrevi, malhei, deixei de malhar, viajei; revi amigos, decepcionei-me com pessoas, vislumbrei horizontes. Mexi-me. A vida correu, assim como o rio e a mim mesmo. Não volto no tempo, mas torno a ver coisas que me dão prazer. Escrever sobre a vida é uma delas.

Em poucas palavras: estou voltando ao blog! Espero não esperar minha próxima fuga desse cantinho que, admito, eu gosto. E como minha vida sempre tem uma música, acho que O Portão, de Roberto Carlos, expressa de modo bem preciso esse regresso.

E é isso. Um abraço a quem estimo!

sábado, 11 de julho de 2009

O fax do Nirso

(recebi em e-mail; julgo "curioso"):

+ + +

UM GERENTE DE VENDAS RECEBEU O SEGUINTE FAX DE UM DOS SEUS NOVOS
VENDEDORES:

''SEO GOMIS, O CRIENTE DE BELZONTE PIDIU MAIS CUATRUCENTA PESSA.
FAZ FAVOR TOMÁ AS PROVIDENSSA..
ABRASSO, NIRSO.''

APROXIMADAMENTE UMA HORA DEPOIS, RECEBEU OUTRO:

''SEO GOMIS, OS RELATÓRIO DI VENDA VAI XEGÁ ATRAZADO PROQUE TÔ FEXANDO
UMAS VENDA.
TEMO QUE MANDA TREIS MIL PESSA. AMANHÃ TÔ XEGANDO.
ABRASSO, NIRSO.''

NO DIA SEGUINTE:
''SEO GOMIS, NUM XEGUEI PUCAUSA DE QUE VENDI MAIS DEIS MIL EM BERABA. TÔ
INDO PRA BRAZILHA.
ABRASSO, NIRSO.''

NO OUTRO:
''SEO GOMIS, BRAZILHA FEXÔ 20 MIL.. VÔ PRA FROLINOPOLIS E DE LÁ PRA SUM
PAULO NO VINHÃO DAS CETE HORA.
ABRASSO, NIRSO.''

E ASSIM FOI O MÊS INTE IRO. O GERENTE, MUITO PREOCUPADO COM A IMAGEM DA
EMPRESA, LEVOU AO PRESIDENTE AS MENSAGENS QUE RECEBEU DO VENDEDOR.

O PRESIDENTE ESCUTOU ATENTAMENTE O GERENTE E DISSE:
''DEIXA COMIGO, QUE EU TOMAREI AS PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS.''

E TOMOU...

REDIGIU DE PRÓPRIO PUNHO UM AVISO E O AFIXOU NO MURAL DA EMPRESA,
JUNTAMENTE COM AS MENSAGENS DE FAX DO VENDEDOR:


"OS PHD DO ÇETOR DE MARQUETINGUE DA IMPREZA KI NUM MOSTRÁ CIRVIÇU TÃO
DIMITIDO ÇUMÁRIAMENTI, INCRUSIVI O GOMIS. MOTIVU: DIPROMA DIMAIS,
CUMPETENÇA DIMENUS! A PARTI DI OJE NOIS TUDO VAMU FAZÊ FEITO O NIRSO. SI
PRIOCUPÁ MENOS EM ISCREVÊ SERTO, MOD VENDÊ MAIZ.
ACINADO, O PRIZIDENTI

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Crise do meio do ano

Estou convivendo com as palavras do Raul: “eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado / porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto "e daí?"; eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado

Não que minha vida seja fácil, linda ou algo que o valha; demorei algum tempo para conhecer alguns luxos que a vida oferece, e isso porque nem sempre vi à minha frente as melhores condiçoe$ para tocar todos os sonhos que almejei. Tá, nunca fui completamente Pelado (com P maiúsculo, pois com minúsculo, posso dizer que fui), mas consegui fazer valer a pena minha formação acadêmica e meu conhecimento geral. Tá, e daí?

Sei lá. Ando meio injuriado da vida. Mais uma vez sou socorrido pelo parceiro do mago: “eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo pra ir com a família no Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos / Ah! Mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado, macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco”. Fui, vi e venci. Naveguei por precisão, desafiei as procelas por necessidade. Tá, e daí?

Fim do curso de Direito. Permitindo o Grande Arquiteto do Universo, 21/01/10 é o dia da cerimônia. Bel. Samuel Aguiar da Cunha, o Sami da mamãe, o bichinho da goiaba da titia, o guri do pai. Tá, e daí?

+ * + * +

Aprendi no Direito que há duas coisas a se pensar quando se atua no Judiciário: uma é o Direito material, aquele que diz que é crime matar, que dá direito de herança aos filhos ou que obriga o desgraçado que nos bate no para-lama pagar o conserto; a outra é o Direito processual, que é o modo como eu vou reclamar isso. Assim, não há que se falar em procedimentos judiciais sem direitos a reclamar. Isso é basilar, primordial.

Acontece que o advogado, que quer vencer a qualquer custo, muito usa dessa artimanha – olhar o processo ensimesmado – para pedalar sua demanda, mandando para o-raio-que-o-parta a discussão material. São essas coisas que fazem com que a população se enoje da conduta de certos juízes, que não dão aposentadoria às velhinhas porque o processo não foi bem defendido, ou que inocentam os suspeitos por firulas.

Pois é. Não raro acabo me sentindo um meio, e não um fim. Não é de hoje, confesso. E não posso reclamar. Muito acho que a vida é assim mesmo. Droga de vida.

+ * + * +

Michael Jackson era famoso porque dançava da frente para trás ou dançava da frente para trás porque era famoso?

A pergunta conduz a erro: a primeira acepção da conjunção (famoso porque dança) joga como primário, no ritmo lógico, a situação de dançarino, e, como consequência, a fama; na segunda assertiva (dança porque é famoso) joga a fama como antecedente à dança. Contudo, nenhuma das duas lança os olhos ao fato de que Michael Jackson é, independente de ser famoso ou dançarino.

Será que meu olho está se acostumando a ver funcionalidades ou nós só valemos o quanto pesamos?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Geração Xuxa

(Juremir Machado da Silva)

Passei anos procurando um culpado para o miolo mole dos brasileiros das últimas gerações. Inclusive o meu. Sempre soube que o Rio Grande do Sul havia contribuído para transformar o Brasil num celeiro de figurinhas patéticas ou simplesmente bobinhas. Cheguei a imaginar que o responsável era exclusivamente o Louro José. Essa hipótese é boa, mas não dá conta do que acontece com quem nasceu antes do aparecimento do filosófico papagaio da Ana Maria Brega. Sem contar que Louro José não é gaúcho. Outro dia, lendo a Folha de S. Paulo, numa viagem de Belo Horizonte para Porto Alegre, tive a confirmação do que eu já suspeitava: a culpa é da Xuxa. Ninguém fez mais pela 'imbecilização' dos nossos 'baixinhos' do que ela.

O problema é simples: uma vez baixinho, acreditem, sempre baixinho. Até o cérebro encolhe. Xuxa sempre se apresentou como uma rainha. A mídia é monarquista. Mas, sinto muito se vou decepcionar alguns com esta revelação, ela é uma bruxa. A Xuxa é a Madame Mim. Ela acaba de inventar um menino príncipe para contracenar com sua filha, Sasha, no filme 'O Mistério da Feiurinha', que será dirigido pela ex-cineasta Tizuka Yamazaki. Sim, eu implico com a Xuxa. Acho que ela não tinha direito de chamar a filha de Sasha. A pobre menina rica vai passar a vida mascando o próprio nome. Além disso, ela quer transformar a guria em personagem de um Harry Potter tupiniquim. Qual o problema disso? Bem pensado, nenhum. Agora, se o Ministério Público mete o nariz no trabalho da menina Maísa, que é inteligente e faz papel de inteligente no programa do Sílvio Santos, devia também meter o bedelho nas atividades nocivas da bruxa Xuxa.

Faz, sei lá, algumas décadas que ela erotiza precocemente as crianças. Até aí, alguém pode dizer, nada de novo no front. As novelas fazem sacanagem ainda maior. O problema mesmo é que Xuxa transforma as crianças em chatas. Sempre com aquele ar asséptico, com aquele falso moralismo estampado no rosto burilado numa agência de celebridades, com aquele jeito de sala de espera de dentista. É isso: a Xuxa é Chata. É o meu melhor slogan. Ela aponta o seu dedo mágico e a criança vira um chatinho na hora. Ainda não se descobriu o antídoto. Sim, eu detesto a Xuxa. Ela é a grande contribuição do Rio Grande do Sul para a cultura nacional depois da ditadura militar. É uma questão de imaginário patriótico. Os baixinhos têm a Xuxa. Os altinhos têm o Louro José. Os baixinhos têm o Harry Potter. Os altinhos têm o Paulo Coelho. Precisamos realmente lutar contra as drogas.

Madame Mim não enganava ninguém. Era bruxa e se apresentava como bruxa. Honestamente. Representava o mal como referência para o bem. A Xuxa é mais perigosa. Escapou de uma festa de Halloween. Faz de conta que é o bem. Bruxa a gente identifica pelos olhos. A Xuxa é o Lobo Mau disfarçado de vovozinha. Por que esta fúria toda contra a Xuxa? Ela é como aula de moral e cívica atrasada: uma tortura. Susan Boyle é mais talentosa e bonita. Repitam comigo: a Xuxa é chata e xoxa. Xô!

domingo, 10 de maio de 2009

A oração de mãe

Bonita história que recebi por e-mail, retirada daqui, e que expressa cirurgicamente o coração de uma mãe.

Um abraço à minha e a todas!

+ + +

Em uma manhã de domingo, um grupo de jovens universitários saiu em direção a uma gruta que não ficava muito longe da cidade. Levavam baralho e bebidas e pretendiam passar o dia ali escondidos, jogando e bebendo, apesar de vários deles pertencerem a lares cristãos.

Quando chegaram à gruta, escutaram o badalar de um sino que convidava os fiéis a irem à igreja, adorar ao Senhor. Jorge, um dos jovens, deteve-se pensativo a escutar aquele som. De repente disse: "eu vou voltar à cidade e vou à igreja". Os 1 amigos tentaram dissuadi-lo mas não conseguiram. Fizeram então um circulo ao redor dele, prometendo jogá-lo no rio se não mudasse de idéia. Jorge, deixando a garrafa e as cartas no chão, contou-lhes sua história. Era o filho caçula de uma família pobre. Seus pais desejavam muito dar-lhe uma instrução superior, mas não tinham recursos porque a mãe estava inválida e de cama há vários anos. Então o professor de Jorge, que gostava muito dele, comprometeu-se a pagar seus estudos. Quando tudo estava pronto para a viagem, sua mãe disse: "filho meu, sinto meu coração : quebrantado pela sua partida, porque estou certa de que nunca mais vou vê-lo novamente. Estou deixando você ir porque desejo que possa vencer na vida e ser um bom homem, culto e de valor. Seu pai não pode pagar sua viagem de ida e de volta, portanto você só poderá voltar depois de terminar o curso. E tenho certeza de que não viverei tanto tempo. Em terra estranha, você encontrará dificuldades. Tenha cuidado, busque sempre a orientação do alto. Todos os dias de manhã estarei orando por você. Aonde quer que você esteja, quando escutar o sino da igreja convidando os fiéis ao culto matutino, volva os pensamentos para este quarto, onde sua mãe estará orando por você. Adeus". Quando Jorge terminou sua história, seus companheiros desfizeram o círculo e jogaram no rio as cartas e as garrafas, dizendo: "nós também voltaremos com você e iremos à igreja". E nunca mais aqueles jovens se deixaram arrastar pelas tentações do vício, relembrando-se de seus lares, freqüentando a igreja e andando em comunhão com Deus.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Amicus est

Compartilhar pequenas felicidades:
Café, chimarrão e cerveja...
Banalidades e segredos...
Lugares e pensares...
Amigos e sorrisos...

Compreender a importância de acontecer algo desejado há muito tempo.
Não agir como se achasse que não é merecido.
(Respeitar sentimentos...)

Nem tudo é sobre estar certo ou errado.
(A vida não é uma prova de V ou F.)
Muito menos sobre concordar sempre.
(A liberdade não permite aos outros discordarem de você também?)

Precisar e permitir que precisem do seu apoio.
(Existem coisas pesadas demais para se lidar sozinho...)
Às vezes, basta dizer que, apesar da situação parecer ruim, tudo vai ficar bem.
(Aceitar a responsabilidade de ser alguém importante o suficiente para isso.)

Encarar uma conversa franca e “esgotar a pauta”, sem “caraminholar”.
(Não esperar adquirir proporções maiores do que deveria.)
Iniciar uma nova edição, revista e atualizada.
(Não deixar um contratempo apagar todo o arquivo das coisas passadas.)

Descomplicar o que parece ser complicado.
(Rir do insólito: Qual é o problema, afinal?)

Deixar, e deixar-se, querer bem, mesmo quando não parece ser fácil.
(Nada é perfeito e a vida é muito curta para se perder tempo remoendo coisas.)

Amicus est frater electus, o destino os traz e eles simplesmente são,
é só não querer perdê-los, nem jogá-los fora pelo caminho.

+ + +

Excelente texto da Simone Sta. Helena. Convido (e peço) que passem no blog dela e comentem a pérola que a pena dela produziu!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Das tripas, coração

Ouvi inúmeras vezes minha mãe dizer isso quando eu era pequeno. Um esforço hercúleo, uma tarefa terrível, uma prova medonha, nada disso era tão dramático quando "fazer das tripas, coração": depois do terceiro ano fundamental, eu entendi em profundidade o que queria dizer aquilo: embora não seja clinicamente viável fazer isso, eu imaginava uma gambiarra enorme, composta de um emaranhado vascular (plenamente operante), com suas explicações, como se falassem para mim "sou um duodeno, mas estou quebrando um galho de ventrículo esquerdo".

Poucos podem dar continuidade à vida sem aquela pontinha de preocupação com o amanhã financeiro, com esse dinheiro vendido no grito nessa bolsa que não se carrega. Dos que naturalmente já se viravam, hoje estão bulindo seus ânimos para lutar nesse desafio que é a subsistência.

"Fazer das tripas, coração", para mim, é lembrar do memorável Tempos Modernos, do grande Charles Chaplin. No enredo, o coitado foi mecânico, meliante, vigia noturno, agitador político, drogadito, garçom e cantor. Como não sabia cantar, pediu ajuda para a amiga, que escreveu a letra da música nos punhos; como desgraça pouca é bobagem, sofreu um grande revés, mas conseguiu. Conseguiu? Vê e descobre.

Aos assoviadores-e-chupadores-de-cana, um grande abraço e uma excelente quarta-feira, com direito a alegrias e sucesso!

sábado, 4 de abril de 2009

Sobre as fotografias e o fografar


Tu não tens a impressão que, hoje, a reprodução fotográfica é banal, com todo mundo com sua câmera e zilhares de fotos nos pê-cês, celulares e coisa e tal? Sei lá, lembro das meninas da escola nos passeios de escola com suas camerazinhas, ganhadas ou emprestadas, tirando fotos e fazendo cartazes de cartolina dos animais no zoológico, das agendas coloridas de retratos e das imagens presenteadas pelas amigas imortais umas às outras.

Embora não seja uma representante do sexo feminino, também tive uma câmera (homens também podem retratar); quando ela ficou de meu uso exclusivo, já era ultrapassada há muito, mas ainda funcionava. A máquina não tinha flash próprio, precisando-se colocar um MagiCube para retratar em ambientes internos (fora aquela alavanca para passar o filme, acondicionado em um cartucho inteiriço). Não tínhamos muitas condições de retratar tudo, fotografávamos apenas o essencial, e o fazíamos duas vezes "para garantir" a perpetuação daquela imagem num papelucho quadriculado, em que, algumas vezes, a casa que revelava punha até a data (mês/ano) da fotografia. Isso é coisa de museu, mas vivi essa época.

Parece que temos a ânsia de deixar o mundo estático com as fotos; entretanto, gosto dele assim, correndo pelos dedos, mas deixando uns restinhos da sílica nas dobras das falangetas, só pra contar que ele passou por mim. Só assim as fotos têm sentido: elas não são, elas estão sendo.

Gosto das imagens em preto-e-branco, elas não retratam um momento, apenas ilustram uma vivência. Não gosto de filmagens, pois pouco se percebe nelas. A vida não foi feita para ser estática, sei disso, mas cada pedaço dela forma um todo; eis o fenômeno do fotografar: olhar o simples, mas olhar o além. É um olho que não apenas , mas percebe.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Entre a balança e a espada

Entre a balança e a espada

Há duas “versões” para se retratar a guardiã da justiça: uma é a deusa latina Iustitia, que tem os olhos vendados e empunha com ambas as mãos o gládio sagaz e pronto para o uso; para ela, a simples arguição dos problemas levaria à solução; escreveu, não leu, o pau comeu era o pensamento romano, e a retórica e a erística seriam as artes que conduziriam o julgador. E era isso: os reclamantes se postariam perante o juiz, desfiariam suas ladainhas e ele diria o que sentia do caso (e daí vem a palavra sentença, que vem de sententia / sentire). Pronto. Dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é a lei. O outro modo de apresentar a protetora divinal é como Diké, a grega, que tem consigo um par de pratos de uma balança desnivelada e uma espada apontando para o chão, e contrariamente à maninha mais nova, os olhos estão muito bem abertos; não é impulsiva, mas coloca tudo na sua libra, e aguarda até que o fiel da balança chegue ao centro: se Iustitia procura quem tem mais razão, Diké procura equalizar as coisas que lhe vêm às vistas para, depois disso, usar da arma como coerção ao seu imperativo. Não é à-toa que Aristóteles pregava uma igualdade no conteúdo, e não apenas na forma, dando o igual aos iguais e o desigual aos desiguais, segundo a medida de suas desigualdades.

Todo operador do Direito tem uma vocação para “paladino da justiça”. Eu não me escapo disso. Penso nas poucas-vergonhas que o mundo expõe e penso que se devem exterminar todas as contrariedades ao cumpra-se da lei. Mas nem sempre é tão simples assim.

Exponho um caso bem simples e direto. No centro da cidade, é comum encontrar indiozinhos cantando e batendo violão; mendigando, em resumo, pois não creio que seja uma manifestação cultural o fato de passarem o dia ali, brincando com cavacos e gravetos, com as mãos estendidas aos transeuntes em formato de conchas, nada falando e tudo dizendo. Enfim, há filhotes dos habitantes nativos da Pindorama na calçada em que caminho. Ali estamos, eles e eu.

Se fossem meros filhotes, bichinhos indefesos, bastaria reclamar à Sociedade Protetora dos Animais. Ó, tem um bichinho ali, e pronto, recolhe-se o animal. Poderíamos chamar o pessoal encarregado pela prevenção e erradicação de zoonoses, para que cuidássemos da criaturinha. E daí, que mais faríamos? Um mais piedoso poderia levá-lo para casa, dar comidinha e colocá-lo no retrato da família enquanto a morte não ceifasse a alegria do companheiro. Poderíamos fazer tudo isso se fossem animais; mas não são animais, são pessoas como eu, como quem lê essas linhas, como quem deve (ou deverá, ou deveria) cuidá-las.

E o que fazer com esses infantes? Anos atrás, eu mandaria tirar dos pais, pôr para adoção, prender os genitores por não usarem do poder familiar (e das condições que têm), e estufaria o peito com orgulho simiesco, dizendo cumpri o meu dever. Não consigo mais ver isso; há tantos arranjos familiares, há tantos matizes nas cores da vida, que não sei mais bem o que pensar a respeito.

Lembro que minha avó paterna contava que fazia pé-de-moleque para os guris (a saber, meu pai e meus dois tios) venderem durante os jogos de futebol de um estádio que ficava próximo de onde moravam. Eram pobres, sim, mas isso não lhes era desonroso. Meu tio e dindo, o mais empreendedor do grupo, começou a vender tangerina, laranja, alface, essas coisas, e foi fazendo o dinheirinho da família. Essa era a realidade de 40, 50 anos passados. Paro e penso nas pessoas que colocam seus filhos ao seu lado, amparando no trabalho e sendo seus grandes parceiros; acho bonito isso. Claro, é doído e lamentável não lhes facultar as condições de desenvolvimento pleno, com estudo, esporte, lazer, cultura, mas não sei se tira-los do convívio familiar e mandar ao raio-que-os-parta também é problemático.

É fácil achar respostas, difícil é perguntar honestamente. A situação entre esses pequeninos é real, concreta, líquida e certa, como eu diria na Academia; agora, a que problema eu a conduzirei? Que Deus me ajude a olhar primeiro ao direito, depois à lei, para que eu não queira a cegueira da justiça, ou só apenas o brandir do gládio para a persecução do seu mister, mas que eu olhe bem a que o fiel da balança me conduzirá. Se projetos sem ações são meras quimeras, ações sem projetos são demonstrações da pequenez humana.

Agora, não posso encerrar sem lembrar a sábia oração: Senhor, dá-me a serenidade para aceitar as coisas que não consigo mudar, coragem para mudar as que eu consigo e discernimento para diferenciá-las umas das outras. Que assim seja!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Por quem lutar

Precisei levar documentos a um prédio no centro de Porto Alegre. Prédio medianamente grande, com 16 andares, várias salas. Como fui a trabalho, pus o crachá, mesmo que estivesse sando de casa: preferi ficar e levar diretamente, pois seria desperdício de tempo ir a Sapucaia, perder uma hora de viagem no metrô, e empregar mais uma hora e meia em carro oficial para vir e voltar de um local que dista alguns minutos de ônibus de onde resido.

Cheguei, entreguei o material necessário e saí, levando mais tempo no elevador que com o pessoal; tiro rápido, entreguei e me fui. Caminhei à estação de trem, o dia continua e o trabalho não é pouco. Ainda estava a trabalho, mesmo que de mochila às costas e caminhando no meio de uma manhã ensolarada; segui, com o crachá no peito e com o passo de quem tem algo a fazer.

Comecei a passar pelo comércio em geral, mas principalmente por lojas de roupa simples, barata, de gente humilde e batalhadora; todas estavam vazias, a despeito dos convites das moças bem apresentadas, com suas bocas altissonantes e mãos aplaudindo. O povo que passava estava ocupado, assim como eu, e não poderiam dar 15 minutos para uma camiseta, ou uma blusinha, ou algo que o valha.

Notei, ainda, que dois acessórios eram presença constante nas mãos das mulheres transeuntes: numa, a bolsa, símbolo-mor da feminilidade e da versatilidade das musas da pós-modernidade; e noutra, uma pastinha, pastinha simples, dessas de carregar e proteger folhas. Já sei do que se tratava: eram os currículos nas mãos das senhoras e senhoritas. Ou seja, não estavam indo trabalhar; antes, queriam algum trabalho.

Umas, com o corpo esguio e com as curvas da silhueta ainda bem definidas, e outras, com a experiência estampada nos traços da face e raiada aos cabelos, mas todas buscando o mesmo ideal, um sossego às suas prioridades financeiras – e não apenas às suas, mas provavelmente daqueles todos que com elas dividem o teto e a vida.

Também havia homens circulando, muito menos que mulheres, mas havia. Jovens magrelos empunhavam mochilas cheias de sonhos, em busca de uma inserção nesse mundo avassalador, nesses tempos modernos, em que todos nos assemelhamos aos peixes da Semana Santa, valendo o quanto pesamos. Vi moças seminuas, ofertando o prazer dos varões à custa do repúdio do próprio corpo; vi crianças cantando suas melodias étnicas como instrumento de comoção dos que passavam; vi pobres oferecerem dinheiro aos pobres, espoliando pessoas que nada têm (assim como esses mesmos arautos nada têm) em favor daqueles que têm, e tê muito.

Vi a guerra do pobre contra o pobre; quem resiste, fica só; quem não consegue, alia-se ao poderoso proprietário. Será que foi para isso que nascemos

Não me considero um adepto das ideias de esquerda, Deus sabe disso; contudo, pego-me a pensar o que seria do meu Brasil quando não baixássemos a cabeça aos juros abusivos dos cartões de crédito, ou, bem mais além, se não nos curvássemos diante do consumismo e a ele não prestássemos a veneração que a mídia catequiza como sendo-lhe devida.

Qual é a necessidade de cada brasileiro ter um celular, mesmo se não pode ligar por falta de créditos e se não recebe ligações? De que adiantam os empréstimos a um povo que tomará mais empréstimos para quitar seus empréstimos, e que pedirá mais empréstimos para quitar os empréstimos seguintes, e que empenhará as alianças para quitar mais empréstimos, e que mal sabe que penhor também é um empréstimo, e que fará empréstimo para recuperar as alianças, e mais um empréstimo para fazer a ceia de Natal, contando com o décimo-terceiro, e que pede “uma graninha” ao cunhado, faz um “fiado” no armazém, paga as prestações dos financiamentos do carro usado (que não consegue manter abastecido e com as manutenções em dia) e do celular sem cartão e sem utilidade, que de adiantam?

Permitiu o Pai das Luzes que eu seguisse no ramo das leis; tenho um dever sobre os ombros, que é o de alertar os meus irmãos a não caírem nas armadilhas diárias da vida. Assim costumam fazer os pais, mandando os filhos mais vividos à frente dos manos ingênuos, para lhes cuidar as pegadas. Assim espero poder fazer.

Se o Direito não olhar para as vidas a quem se destina, para nada nos serve; não criaturas do sistema: somos seus criadores! Fizemos tudo para que alcançássemos um bem-estar inatacável. No momento em que todos nos vermos assim, como ingredientes importantes nesse bolo social, saberemos fazer valer nossa voz. Enquanto esse momento não chega, ainda tenho muito o que fazer.

Levantemo-nos, como construtores sociais, para alicerçarmos uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais solidária, para que a beleza do verso seja a plena realidade: “do Universo, entre as nações, resplandece a do Brasil”.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Olha pra mim!

A mentira é o artifício que nos proporciona o que a verdade não pode proporcionar. Se ambas fossem às compras, uma pagaria em dinheiro e na bucha, de uma vez só – se possível, até o faz em moedinhas, pra não ficar nenhuma dúvida da procedência dos níqueis; a outra, porém, negociaria muito bem, faria uma barganha padrão shalom alechem e pagaria com cheque pré-datado, confiando no salário que não recebeu e, assim, no dinheiro que não tem.

A verdade é clara, límpida, simples, quase tola e banal. O que é, é, como num princípio eterno, que sempre a mantém e para sempre a conserva. A mentira é cheia de condicionais; pode ser lógica, mas não necessariamente; o problema é que, quanto mais lógica, quanto mais coadunável, quanto mais silogismos, relações bicondicionais e reductio ad absurdum, mais firme se resulta – e mais se parece com a verdade.

Nada é mais banal que a circunstância explícita: um sardento, um gordo ou uma bunda grande parada no meio da rua são pouco mais que demonstrações meramente físicas; contudo, muito agregarão de interessante se as sardas do moço foram conquistadas enquanto combatia pelo exército de seu país, se a obesidade é fruto de uma doença rara ou se o derrière é componente fundamental de sedução de uma passista de escola de samba. Entretanto, arrisco-me a dizer que a existência dos primeiros atributos não condiciona à dos segundos, nem tampouco a existência dos segundos carece da dos primeiros: nem toda passista possui glúteos fartos, e nem toda detentora de quadris largos sabe sambar.

Enfim, há atributos sutis, escondidos em nossas particularidades, que não se exibem de pronto às companhias que a vida nos apresenta, como um namorado (e isso é comum na adolescência), uma doença, uma música na cabeça ou um bebê no ventre; revelá-los é trazê-los à curiosidade comum, mas é também escondê-los na própria aparência, guardando-os na própria exposição, de um modo muito semelhante ao que acontece com a cebola, que, se plenamente descascada, nada lhe resta.

Acho que a maior manifestação disso é a gravidez. Quando a mulher chama as amigas para um happy-hour, para um passeio no shopping ou meramente à típica ida ao banheiro, e contam às companheiras de gênero que está a carregar uma célula-ovo dentro de si, o frenesi toma conta do ambiente, e todas (e todos, por que não? Os homens também se empolgam com essa notícia, embora nem sempre manifestem de movo veemente) passam a falar dele, o novo cidadão, o bebê destinado ao devir. Engana-se gigantemente a gestante que crê que passará a ser o centro das atenções: todos querem ver o barrigão, o ultrassom, o enxoval, não as estrias, os pés inchados e as dores nas costas, fora as mamas vazando, o enjoo sagrado, a dificuldade em se cortar as unhas dos dedos do pé e a marcha de pata choca.

Poderemos contar que, um dia, na história da nossa democracia, ficamos horrorizados com a história de uma grávida carente e toda arranhada estando distante do torrão que a viu nascer; mas a mentira dela perdeu as peças de sustentação e ficou frágil, frouxa, fraca; ruiu, mesmo estando apoiada em uma série de outras mentiras; ruíram todas, uma a uma. Do seu real motivo para falsear a verdade, talvez nunca saibamos; o que talvez haja acontecido seja a necessidade de se consumir um artigo chamado “atenção pessoal”, escasso hoje em dia. O que eu sei é que, em geral, compramos parcelado para poder comprar mais; e se era realmente o produto que a brasileira desejava, simulando uma gestação e talhando uma série de riscos ao próprio corpo, podemos dormir certos de que conseguiu. Até mais do que precisava. Até mais do que poderia querer.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Com a pulga atrás da orelha

Acompanhei em muitos jornais e probramas de TV a vitória de Hugi Chávez no referendo que prevê possibilidade de reeleição perpétua, exatamente o que ele queria. Sei que o povo o ama de paixão, mas dá para confiar numa eleição feita por um governo que não gosta de ser contrariado? Sei não, posso estar assumindo uma posição à moda "teoria da conspiração", mas será que ele já não seria vitorioso antes mesmo da eleição, isto é, será que a máquina pública não manipularia essa vitória?

Fico desconfiado com isso, mas prefiro parar por aqui: o Grande Irmão zela por nós!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ctrl + Z

Como seria bom se tudo na vida pudesse ter com Ctrl + Z. Uma tatuagem que se enjoa, um namoro que termina mal, a quebra de um bibelô, seria muito conveniente se conseguíssemos tornar ao status quo ante. Mas não dá.

 

Acho que uma das piores coisas nesse sentido é um mau lance de xadrez. De repente, zás!, a rainha vai passear na caixinha do outro adversário. Tu vais mexer na peça, não mexe, esbarra na outra e ouve o brado "peça tocada, peça jogada" com a fúria lancinante de um rival que, horas depois, estará dividindo coca-cola contigo. Jogo é jogo, mas xadrez é guerra.

 

Mas suponhamos que dê para despistar a furiosa regra da vida e voltar a jogada, como um grande amigo e eu costumamos jogar. A cavalaria retorna, a artilharia deixa de avançar, mas o jogo avançou e o que era, não é mais; o que restou foi um simulacro de regresso temporal, sem perda, sem derrota, sem suplício, sem tempero. Tentar rebobinar a fita (sou dessa geração) faz voltar o filme, mas não faz voltar o tempo da exibição. Pimenta demais pode ferir a língua, mas a falta dela pode deixar insípido o que nos cabe degustar.

 

Se o banho não é o mesmo num rio que não é o mesmo e quem se banha também não é mais o mesmo, o que nos faz ter essa pretensão ou essa ânsia? Coisas que eu perguntarei ao Pai do Céu quando eu lá chegar. Por enquanto, vou pegando o trem e avançando um peão mais uma casa no tabuleiro da vida, na esperança de deixar em xeque o destino feroz, que contra todos joga com as peças brancas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O bom senso não passeia

É triste andar de ônibus e ver que as velhinhas não têm lugar para sentar, mesmo com assento preferencial. É desolador ver as grávidas batendo com seus barrigões nas barras do metrô. Choca ter de ver crianças escarrapachadas em lugares confortáveis em detrimento de pessoas lesionadas a sacolejar dentro do transporte público. Isso me faz duvidar da evolução humana.

Acho um absurdo cotizar lugares para idosos, gestantes e deficientes físicos. Precisamos fazer isso? Lugar para sentar não é como vestibular, que se passa por mérito; é chegar primeiro, é quase sorte. Acho um pavor separarmos bancos para esses grupos: se é óbvia a necessidade deles, por que as pessoas não cedem gentil e espontaneamente os seus bancos?

Andei por bom tempo acomodado no colo dos pais. Só quando meu peso começou a incomodar é que passei a ocupar um espaço “de gente grande”, e, mesmo assim, cedia-o a qualquer adulto. “Teu tempo chega”, eu ouvia.

Chegou o meu tempo. Continuo a ceder meu lugar. Ao metrô, sento-me, em inúmeros casos, no soalho do carro. Sim, eu pareço hippie, e daí? Gosto, até prefiro. Não atrapalho a ninguém e a ninguém constranjo a um esforço que quiçá não possa suportar. Só quem já esteve enjoado, com dor ou com cheio de livros no braço sabe o valor de um cantinho para se posicionar.

Sofro de dores pertinazes nas costas e nos braços. Uma dor punk, uma dor do mal, daquelas que não se importam em ter os dentes obturados a partir de brocas no nariz. Numa crise de lombalgia, estava com minha bengala (sim, eu estava de bengala, tamanha a crise!) e tive de viajar em pé, para que as beldades ranhentas ficassem majestosamente quedadas nos estupefacientes “lugares de aleijado”.

E assim se leva a vida. Pena que uns e outros não levam o bom senso quando passeiam nos caminhos da existência.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mulher nova

A mulher tem na face dois brilhantes, condutores fiéis do seu destino
Quem não ama um sorriso feminino, desconhece a poesia de Cervantes


(esse trecho é magnânimo! É da música do Zé Ramalho Mulher nova, que me deixa corado, mas é um modo de ensinar História pras crianças!)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sutileza

Podem comer à vontade

(propaganda em outdoor do Motel Taiko, em Porto Alegre, anunciando almoço aos clientes que frequentarem a casa das 11h às 14h)