segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Moonlight serenade

Quantos bailes devem haver sido embalados por essa música? A verdade é que Glenn Miller foi um gênio que respondeu de modo um tanto inusitado aos problemas que ocorriam com sua banda, sempre fazendo execuções perfeitas e envolventes.

Não foi diferente com Moonlight serenade, sua composição mais primorosa. Originalmente com um trompete em solo, um acidente muda a rota que se tomaria: um tropeção no fio do microfone o acaba por derrubar o pedestal em que estava na campana do pistão, resultando num corte no lábio do instrumentista no dia anterior ao da gravação! Como não seria possível o restabelecimento do trompetista a tempo, foi adaptada a parte para que um clarinetista a tocasse. Leve e macia, mas clara e marcante, a participação do clarinete fez com que um instrumento até então tido por "figurante" passasse a ser um magnífico coadjuvante na orquestra. O resultado? Está aí embaixo, para quem quiser ouvir!

Assim, inaugurando a seção "Cafona, mas eu gosto", ele, o magnânimo, o categórico, o intrépido, o catecúmeno, Gleeeeeeeenn Miller!

Boa audição! Arreda a poltrona e mesa de centro, e tira a patroa pra dançar! Patroa, boa sorte para os joanetes!

"Cafona, mas eu gosto!": o intróito

Da outra vez que escrevi algo semelhante, ficou só no intróito. Espero que, dessa vez, a coisa avance. Acho que será mais tranqüilo, até porque não precisarei dedicar horas do meu dia (só para fazer constar, escrevo para o blog geralmente no metrô, no caminho para o trabalho, e levo exatos 28min para percorrer o trajeto).

O YouTube é magnífico. Não sei como pude passar anos da minha existência sem ele. Como sou fã da nostalgia e da cultura inútil, lá há um arcabouço interminável de informações que me podem render bons sorrisos.

Assim, inauguro a sessão "Cafona, mas eu gosto": tudo o que é bom, mas cheira a naftalina, terá espaço nesse canto.

Bom dia e boa sorte!

Santinhos profanos

Outrora em 15 de novembro, atualmente no último domingo de outubro, os colégios eleitorais com mais de duzentos mil votantes precisam sufragar novamente caso não haja maioria dentre os votos válidos a um dos candidatos às chapas majoritárias. Eis um conceito que poderia ser abertura de Wikipédia para “segundo turno”. Se na teoria representa a legitimidade advinda da escolha da maioria do povo, a prática desdiz qualquer argumento webberiano: novo pleito é a possibilidade de reverter uma votação menor, aumentar a trupe e dividir a pizza em mais (e menores) pedaços.

A Mui Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre reelegeu seu prefeito. Isso é fato inédito. Gaúchos são curiosos e “pagam pra ver” no que vai dar; a maior prova dessa afirmação foi o fato de ser uma das primeiras capitais da Pindorama a eleger um petista, mantendo o partido da estrela por dezesseis anos. Depois de quatro gestões de integrantes do 13, veio um filho da cidade, emblemático por suas músicas e político de reputação ilibada, e mudou o cenário até então previsível. Ontem, mais uma vez, o grupo político do Presidente da República foi rechaçado, reelegendo José Fogaça (autor de Vento Negro e de uma outra música, que eu não lembro o nome; ainda, é da esposa – e dele também, talvez – a mítica Porto Alegre é Demais).

Como trabalho em uma das cidades da região metropolitana (não propriamente em minha terra natal), vivi duas eleições à minha volta. Sapucaia do Sul, conhecida no cenário nacional como local onde se escondem animais de toda a sorte (seja pelo Zoológico, seja pelo ninho de cobras políticas que se esgueira por lá), preferiu não manter seu atual prefeito. O cidadão não ficou muito contente e quebrou tudo na semana após sua derrota. Literalmente: arrebentou com o próprio gabinete!

Esse foi o segundo pleito em que trabalhei como presidente de seção eleitoral. Depois de 18h de cárcere público (pois foi a Justiça Eleitoral que me convocou) e $30 mais rico (os dois auxílios alimentação, pelos dois turnos de votação), fico num sentimento misto de “fiz minha parte” com “tá, e daí?”. Depois que passa toda a algaravia, jingles, pancadaria verbal (sim, bem sinestésico) e empregos estranhos (como “tremulador de bandeira”, “panfleteador partidário” e “porta-estandartes em semáforos”), só resta a sujeira da votação, os muros numerados de vereadores e as folgas que o certame oferece. Só isso.

Estou perdendo a esperança no meu povo. Isso é mau, muito mau. A res publica (em latim, coisa do povo, é a nossa república) é uma coisa, mesmo. Por isso, não sei até que ponto deveria haver segundo turno: se colocarmos (eu também sou povo, c’est la vie) um rinoceronte no Paço Municipal, a prefeitura não deixará de andar (quem toca o trabalho “de verdade” é a assessoria)! Assim, qual é a legitimidade do segundo turno?

E a vida rola, e os santinhos vão sujando as ruas, e as alianças são constituídas nos diretórios, e nada é novo na frente ocidental. É, gente... E a vida passa, e a água rola, e o vento sopra, e os santinhos-cheios-de-promessas estão ficando cada vez mais profaninhos-com-poucas-verdades...!

Boa semana e boa sorte para nós!
(durante o almoço e, mais uma vez, sem revisão; vou ter de começar a escrever com mais tempo)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Grande Heráclito!


Sempre gostei de Heráclito e a dua idéia de que tudo flui ("não se toma banho duas vezes no mesmo rio"). Agora, com o toque do Frases Ilustradas, melhor ainda! O blog é uma boa pedida para quem gosta de reflexões interessantes e imagens legais que as ilustrem

Até mais!

Você será destruído em...

Com a preocupação de falar bom português, tentei suplantar o pronome “tu” do vocabulário. Aos poucos e naturalmente, “você” foi tomando conta da língua e do lápis, por mera preguiça mental e conveniência à persecução do vernáculo escorreito. Descobri, porém, que é pura hipocrisia minha: é-me tendente falar o pronome da segunda pessoa do singular nas conversas mais ligeiras, acaloradas, e deixar o “você” nos momentos em que se pode “pensar para falar”.

Uma circunstância atenta contra esse que é o pronome mais empregado pelos gaúchos: cá nas bandas do Sul, ninguém se apega à adequada conjugação verbal, vista como “detalhe” na boca do povo; o resultado é a anômala pergunta que se pode ouvir de um amigo ou um colega de trabalho: “tu já foi no lugar ‘x’?”.

É uma preocupação boba? Quiçá. É uma necessidade acadêmica “empregar satisfatoriamente a língua portuguesa”? Deveras. Causa comoção ao ouvinte o excesso de ss? Decerto. Convém não sepultar nosso amiguinho “tu”? É mister.

Assim, chega de máscara! “Tu foste”, “tu falaste”, “tu vens” e outros “tus” me serão por companheiros. Boa viagem, amiguinhos! “Você” será destruído em 5... 4... 3...

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Meu blog já fez um ano de feliz existência! Ontem, em animada reunião comensal com pessoas estimadas, das cinco que me brindavam com a companhia à mesa, apenas duas sabiam da existência dessas tão mal escritas linhas. Vou lançar uma campanha: será dever meu indicar DOIS (só dois, pra ficar fácil) blogs de amigos para meus amigos; depois disso, quem eu indicar me indica e indica mais dois (ou seja, três indicações); quem foi indicado coloca dois mais quem lhe indicou e, em breve, o GMail estará cheio de spams!

Assim, conclamo o povo brasileiro, a massa carcerária, as mulheres de soutien, os burocratas cartorários, os impertinentes debilóides, os energúmenos tecnocratas e os pretéritos mais-que-perfeitos a me auxiliarem na empreitada!

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Começo eu, então: indico o blog da Lu (Lucia in the Sky) e o da Fran (Universo Ladybug), que são minhas leitoras e que tem um monte de contatos. Agora, gurias, mexam-se! Hehehe!

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Abraço a todos. Bom dia e boa sorte!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Certified by Lu Nikkel

Ganhei um Oscar! Lúcia Nikkel (uma das minhas poucas leitoras, que ainda se animam a deslindar esses alfarrábios), deu-me “um selinho de qualidade”. Brigadão, guria!

O blog dela é bem legal, com textos bem coerentes e pessoais. Agrada-me muito o “cantinho” dela. Agradeço o carinho postando um dos seus últimos textos, publicado no Lucia in the Sky, que segue sempre acompanhado aqui à nossa direita. Passe lá, confira os textos e veja meu prêmio aqui!

Abraços!

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Revolta...

Um misto de tristeza e raiva. Depois de dias acompanhando 'o seqüestro', não acreditei no noticiário. Baleadas? Morta? Não queria acreditar. Acho que ninguém esperava um desfecho trágico como esse, eu definitivamente não esperava. Imaginei a dor da família. Dói demais.
Amo meu país, mas foi uma vergonha essa ação. Me sinto insegura.
E, tão rapidamente, a família teve uma lucidez que às vezes me falta.
A doação de órgãos. Prontamente. Rapidamente. Sucesso absoluto. Totalmente o oposto do que acontecera até ali.
Vida.
Que dizer diante dessas coisas? Nem sei mais... só peço a Deus que nos proteja e tenha misericórdia do nosso país. Livrai-nos do mal, Amém.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Rainha vale mais?

O xadrez é uma atividade que aprecio. Permitindo o Senhor dos Mundos, meus filhos aprenderão desde cedo a jogar xadrez, e terei o prazer de perder para eles (se bem que, para isso, não precisa muita coisa). Quero que todos na minha casa joguem xadrez, todos. Quero ter a alegria de passar dias desafiando e sendo desafiado pelas crianças e pela Menininha Ruiva. Sei não, mas acho que serei um pai chato. Acho que meus filhos irão se divertir muito mais com o tio deles, que é divertido e joga bola. Droga de vida.

Uma coisa me assusta na arte enxadrista: o rei é maior que tudo, e dele depende plenamente o jogo, de modo que a atividade se perde por completo sem sua presença. Esse regicídio (ou a persecução desse regicídio), mesmo que legítimo numa sociedade medieval/patriarcal/oriental, não combina com nossa realidade, com a nossa visão contemporânea: o Brasil, que não teve presidentes legítimos por vinte anos, não ficou sem jogar na política – muito pelo contrário, colocou generais superpoderosos, muito semelhantes às rainhas do tabuleiro.

Eloá, a menina encarcerada de Santo André, precisava ser mantida em incolumidade: eis o rei da situação. A rainha era fazer-justiça-e-prender-o-cara-mau-e-bem-mais-velho-que-fazia-a-menininha-refém. Um jogador muito novato (que nem lembra como é o L do cavalo) defenderia o rei, deixando até que a rainha fosse capturada, se fosse o caso. Infelizmente, nossos governantes não jogam xadrez, e preferiram que a senhorita fosse baleada a deixar de “fazer justiça”; como não creio que nossos mandatários não saibam se mover no tabuleiro, será que não atribuíram valores distorcidos às peças? Será que a rainha, peça alta e robusta, com inúmeros movimentos e muita versatilidade, será que ela não ludibriou o competidor, que dispensou o fraco rei, imponente e limitado?

Malba Tahan, o homem que calculava, dizia que a rainha era o próprio povo, que tinha muitos poderes, mas que dependia do soberano. Em nosso país, “todo o poder emana do povo”, conforme nossa própria Constituição. Sob a óptica do esporte do Mequinho, é preferível perder a rainha e vencer o jogo, salvando o monarca; daqui me pego a refletir: será que o povo é visto por nós como “rei” (que tem dificuldades para locomoção, mas é o mais importante do seu meio) ou a nação é tida como “rainha”, que, muito embora seja deveras importante, é apenas uma peça de combate?

(escrito na perna e sem revisão alguma)